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Olfato de morcegos vira pista para projetos de restauração florestal

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Olfato de morcegos vira pista para projetos de restauração florestal

Durante muito tempo, os morcegos ocuparam um lugar sombrio no imaginário popular ocidental. Desde que o escritor irlandês Bram Stoker publicou "Drácula", em 1897, o animal noturno passou a ser associado aos vampiros. Fora da ficção, porém, apenas três entre as cerca de 1.500 espécies de morcegos conhecidas no mundo se alimentam de sangue — e, entre elas, apenas uma é especializada em digerir o sangue de mamíferos, como o gado e outros animais de criação. E, mesmo assim, os humanos dificilmente fazem parte dessa dieta.

Os morcegos compõem o segundo grupo mais diverso entre os mamíferos, atrás apenas dos roedores. Eles também prestam serviços ambientais importantes, como o controle biológico de insetos, a polinização e a dispersão de sementes; cerca de um terço das espécies se alimenta de frutos ou de néctar.

Foi um morcego frugívoro — nome dado a espécies cuja dieta alimentar é composta principalmente por frutos — que conquistou Lays Cherobim Parolin ainda no início da carreira. Quando estava prestes a concluir a graduação em Biologia, a futura cientista queria trabalhar com mamíferos maiores, mas acabou entrando em um projeto de pesquisa sobre morcegos. Na primeira vez em que segurou um deles, ao retirá-lo de uma rede de neblina, foi 'capturada' ela mesma.

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"As pessoas não têm noção de que os morcegos são dispersores de sementes e têm potencial para restaurar áreas [naturais]. Nunca se lembram deles, só se lembram das aves", analisou a pesquisadora, hoje professora da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná.

O primeiro encontro com o mamífero foi tão marcante que Parolin tatuou no braço a imagem do morcego-da-cara-branca (Artibeus lituratus), espécie que apresenta duas faixas claras na cabeça. A tatuagem é uma lembrança pessoal, mas também representa uma mudança de olhar que a ciência vem construindo há décadas: mostrar que os morcegos são animais capazes de desempenhar um papel decisivo quando uma floresta precisa começar de novo.

De acordo com dados da Embrapa Florestas, morcegos frugívoros dispersam sementes de mais de 140 espécies de plantas na Mata Atlântica e podem depositar, por dia, entre 600 e 25.930 sementes por hectare, inclusive em áreas degradadas. Eles se alimentam de frutos nas florestas, atravessam áreas agrícolas por vários quilômetros e dispersam as sementes durante o voo — diferentemente da maior parte dos pássaros, que as disseminam apenas ao pousar.

Assim, ao longo de mais de 20 anos, pesquisadores vêm estudando como aproveitar esse comportamento natural para acelerar a restauração florestal. E a pista encontrada por eles está em algo que os morcegos já usam naturalmente para buscar comida: o olfato apurado.

Sabendo que os morcegos localizam os frutos pelo odor, no início dos anos 2000, pesquisadores se........

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