2026 começa a ser decidido no WhatsApp
2026 começa a ser decidido no WhatsApp
Faltam sete meses para as eleições presidenciais, mas o Brasil já vive, pelo menos nas redes, uma campanha eleitoral em curso. Com Jair Bolsonaro preso e inelegível após condenação pelo STF, o campo da direita bolsonarista apostou suas fichas no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em menos de três meses desde o anúncio da pré-candidatura, Flávio transformou o cenário eleitoral, saindo de um candidato improvável, e se tornando o principal nome da oposição, empatando tecnicamente com o presidente Lula nas pesquisas de segundo turno. O termômetro no debate digital indica que a disputa é muito mais acirrada do que se imaginava.
Segundo os dados da Palver, que analisa em tempo real mais de 100 mil grupos públicos de Whatsapp e Telegram, o cenário eleitoral domina as conversas políticas nos aplicativos de mensageria.
Marco Antonio SabinoVai sobrar para o Haddad mesmo
Vai sobrar para o Haddad mesmo
Wálter MaierovitchComo EUA e Israel eliminaram 'símbolo do mal'
Como EUA e Israel eliminaram 'símbolo do mal'
Josias de SouzaPesquisa mostra que Lula tem calcanhares de vidro
Pesquisa mostra que Lula tem calcanhares de vidro
Alicia KleinBap é um homem machista, privilegiado e covarde
Bap é um homem machista, privilegiado e covarde
Nos últimos sete dias, considerando apenas as mensagens com posicionamento explícito, é possível entender a força de Flávio: entre as que mencionam Lula e expressam algum julgamento, 80,6% são críticas ao presidente e apenas 19,4% são de apoio declarado. Já nas mensagens sobre Flávio Bolsonaro, 54,5% são menções favoráveis, contra 45,5% de tom crítico, uma diferença que reflete tanto o entusiasmo da base bolsonarista como também as principais resistências que o senador precisa superar.
Nas mensagens analisadas pela Palver, considerando apenas a última semana, a narrativa pró-Flávio foi impulsionada por três situações: as pesquisas eleitorais favoráveis, o ato "Acorda Brasil" na Avenida Paulista no dia 1º de março, e o desgaste do governo petista. Frases como "Flávio virou o jogo" e "Flávio já aparece na frente" circularam amplamente.
A mobilização na Paulista no último domingo (01), que reuniu 20,4 mil pessoas, segundo o Monitor do Debate Político da USP, é tratada como símbolo de unidade conservadora, ainda que ausências como as do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Michelle Bolsonaro (PL) não tenham passado despercebidas. O ato consolidou o tom que deve marcar a campanha, que são os ataques a Lula, defesa do legado bolsonarista e acenos ao eleitorado feminino.
Os dados das pesquisas de intenção de voto mais recentes servem de apoio a esse otimismo bolsonarista. Em apenas 69 dias desde o lançamento da pré-candidatura, a distância que era de 12 pontos percentuais favoráveis ao petista se transformou em virtual empate nos cenários de segundo turno. O crescimento de Flávio entre o eleitorado de direita não bolsonarista, segundo a Quaest, explica parte do fenômeno. A direita, percebendo que o candidato cresce e apresenta viabilidade eleitoral, tende a se consolidar ao seu redor
Do outro lado, o campo lulista enfrenta um duplo desafio, pois precisa tanto defender o governo, cuja reprovação supera a aprovação, como também alcançar os eleitores indecisos. Nas mensagens monitoradas pela Palver, as narrativas críticas a Lula aparecem de forma intensa, principalmente com associações ao STF e ao Banco Master. Nos grupos públicos de mensageria, a militância petista mantém coesão, mas a narrativa de defesa do governo cedeu espaço às críticas em boa parte dos grupos analisados.
O Brasil de 2026 deve chegar às eleições mais uma vez dividido. O PT tenta transformar o passado da família Bolsonaro em arma eleitoral. Já Flávio tenta criar uma vacina contra essa narrativa ao afirmar constantemente que é diferente de seu pai.
Para chegar fortalecido ao pleito, Lula precisa demonstrar que seu quarto mandato não será apático, e que ainda há energia para liderar o país.
O desafio de Flávio, além de superar a rejeição de seu pai, é o de mostrar que possui um projeto para o país. Há, ainda, a possibilidade de que as campanhas, ao invés de apresentarem uma estratégia propositiva, foquem em tentar convencer os eleitores de que o candidato merece o voto pois é o menos pior. Nesse caso, de uma aposta nas rejeições, quem perde, certamente, é o Brasil
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.
Atacante se redime, e Botafogo busca empate no Equador na pré-Libertadores
EUA dizem ter destruído 17 navios e atingido quase 2.000 alvos no Irã
Com 54,66% dos votos, Breno vai para Quarto Secreto do Paredão Falso
'Que delícia': fiz ele gozar duas vezes com rapidinha no banheiro da festa
Resumo novela 'Três Graças' da semana: confira capítulos de 4/3 a 14/3
