Cara de pau metaforiza agora cinismo como política de Estado
Sociólogo, professor emérito da UFRJ, autor, entre outras obras, de “Pensar Nagô” e “Fascismo da Cor”
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Embora o início da conhecida marchinha carnavalesca seja "Eu sou o pirata da perna de pau...", é oportuno substituir perna por cara no contexto político onde reinam Donald Trump e uma direita sem escrúpulos e recato. No cinema americano, cara de pau era Fred McMurray, uma expressão invariável ao longo de qualquer drama: contrapartida a Victor Mature e suas contorções faciais intensas, paródia de esforço fisiológico a cada cena. Cara de pau metaforiza agora cinismo como política de Estado: "Quero a Groenlândia porque não me deram o Prêmio Nobel".
Trump sintetiza todos os casos. Na cara, inova com boca chupa-ovo, algo natural, não estudado como as caretas oratórias de Hitler, coreografadas por Goebbels. O Führer comparece, porque seu avatar o reprisa em aspirações geopolíticas, apenas trocando ocupação territorial por anexação comercial:........
