Queremos sonhar, além de sobreviver
Reflexões sobre os múltiplos sentidos da morte e fim da vida
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A história da minha família materna começa com um basta à violência doméstica. Migraram do Paraná para São Paulo no fim dos anos 1970 para proteger a matriarca Evarista de todos os tipos de violência que sofria do marido, meu avô.
O impulso para a vinda veio do tio mais velho Odair Moreira, que juntou dinheiro ao longo de dois anos dentro de uma garrafa enterrada debaixo da cama —era uma terra batida que servia de chão e esconderijo para sustentar o sonho coletivo de viver, além de sobreviver.
Ao chegar em São Paulo, trabalhou como ajudante geral bem aqui, na Folha. Quando o expediente da limpeza acabava, ele parava em frente à máquina de escrever e, ali, batia o próprio nome, o nome da mãe, dos irmãos —e este sobrenome Moreira que, anos mais tarde, eu utilizaria no mesmo jornal para contar nossa história.
Durante dois anos, juntou o dinheiro necessário para voltar ao Paraná e buscar toda a família. Com roupas e sapatos novos, viajaram de ônibus, trem e fizeram a última parada na estação Júlio Prestes, de onde pegaram um táxi até Perus, bairro no extremo norte de São Paulo onde minha mãe conheceu meu pai, e cá estou.
Vim ao........
