Todo feminicídio começa na palavra
Todo feminicídio começa na palavra
"Você não vai com essa roupa". "Pensa bem se quer pedir sobremesa: você tá gordinha". "Quem era aquele cara com quem você estava conversando na festa?". "Ontem à noite peguei minha mulher de jeito mesmo com ela gritando que não queria. Macetei tudo. Foi demais". "Mulher minha, se olhar para o lado, apanha".
Começa assim. Começa no verbo. Começa com pequenas coerções e ameaças. Começa narrando para os amigos como ele é fodão. Nem todo homem que diminui mulheres com palavras acaba matando-as. Mas todo feminicida começou seu crime com a palavra.
O assassino de Dayse Barbosa, comandante da Guarda Municipal de Vitória, é mais uma dessas histórias. Diego Oliveira de Souza, era esse tipo de homem.
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Vocês conhecem outros como ele? Conhecem "homens bons" que têm amigos como Diego de Souza e não o reprimem, não o censuram, não se afastam? Conhecem "homens bons" que riem enquanto Diegos contam suas aventuras que passam por abuso, assédio, estupro, silenciamento?
Todos esses homens fazem parte de uma mesma estrutura. Essa estrutura que nos mata. Mata quatro de nós em um dia. Números subnotificados. Quatro mulheres mortas todos os dias por seus companheiros, pretendentes e familiares.
Nem todo homem. Verdade. Muitos levantam as mãos e berram indignados: eu nunca fiz nada! E a gente responde: não fazer nada colabora para nossas mortes. Se nunca fez nada, então faça. Indisponha-se com o amigo. Reprima o amigo. Brigue com o amigo. Denuncie o amigo. Homens também podem denunciar, vejam que surpresa.
O assassinato de Dayse Barbosa é mais uma história do nosso horror cotidiano. Estamos reportando direto do front. Em qual trincheira você está?
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
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