Se o mundo acabar hoje à noite
Se o mundo acabar hoje à noite
Donald Trump avisou que uma civilização inteira morrerá essa noite. É uma ameaça bastante real a respeito do uso de armas nucleares. Está tudo dito na ameaça infantil e covarde. É difícil saber o que é demência e o que é imperialismo nas atitudes de Trump. E uso a palavra demência aqui de forma responsável porque muita gente acredita que Trump esteja com algum tipo de desordem mental, o que justificaria o comportamento. Mas como saber se é demência ou apenas o capitalismo arrumando qualquer justificativa para inaugurar mais uma guerra colonial?
Trump está desmoralizado porque a guerra que ele disse que duraria um ou dois dias entrou em seu segundo mês e também porque os desesperados pedidos de trégua que ele propôs às lideranças iranianas foram sumariamente recusados. Os Estados Unidos estão desmoralizados e Trump, triturado.
Um homem como Trump não aceita ser triturado publicamente sem espernear. No caso dele, o esperneio pode ser abrir a maleta dos códigos nucleares e começar a acabar com a experiência humana sobre a Terra. Se ele vai ser publicamente humilhado, que padeçamos todos. Trump não se importa. Seus capangas não se importam.
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Não deve ser por acaso que quatro astronautas estão agora mesmo a uma distância segura da loucura de Trump vendo a Terra do espaço sideral e tentando nos falar sobre sua beleza, sobre a falta de fronteiras, sobre o milagre da vida. É o chamado "the over-view effect", ou o efeito que inunda todos os astronautas que fazem essa viagem e nos enxergam como uma civilização só viajando dentro de uma nave espacial pelo Cosmo.
Mas o capitalismo não quer que nos vejamos assim. É preciso que nos enxerguemos separados, atomizados. Só existem indivíduos e suas famílias, disse Margareth Thatcher para explicar que não há nada como um corpo social, ou uma coletividade, ou uma comunidade. É você e mais ninguém. Faz seu corre, não exija nada do Estado e não olhe para o lado.
Os astronautas berram lá detrás da Lua: existe uma comunidade sim! Mas ninguém escuta. Ou quem precisaria escutar está podre demais para conseguir.
Se uma civilização inteira morrer essa noite, teremos morrido todos e todas. Não haverá mais um Corinthians e Palmeiras, um Ba-Vi, um Sport e Santa Cruz, um Fla-Flu. Não haverá mais o pôr do sol no Arpoador, um samba de roda na Lapa, o Olodum na Praça das Artes. Nada acabará de imediato, claro. Vai ser lento, quente e fedorento esse fim de mundo proposto por Trump e por outros bilionários.
Pode ser que o psicótico presidente estadunidense volte atrás e invente mais uma reunião fictícia de negociação com os iranianos para dizer que decidiu dar mais 24 ou 48 horas antes de matar uma civilização inteira. Nossas vidas nas mãos de um psicótico estuprador masculinista acusado de pedofilia. Não há obra de arte que tenha sido capaz de imaginar um vilão com essas características satânicas. É, sem dúvida, o mais perfeito vilão de todos os tempos que quer que o chamemos de empresário. Diz muito sobre a época em que vivemos.
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