Ju Linhares e a arte da esperança: 'vamos dançar até cansar o cansaço'
Ju Linhares e a arte da esperança: 'vamos dançar até cansar o cansaço'
As canções de Juliana Linhares têm sido companheiras de lindos momentos em minha vida. O álbum "Nordeste ficção" foi o que mais ouvi no último ano. Ele convoca minhas raízes e faz minhas vísceras dançarem.
Juliana é potiguar. Eu sou pernambucana e desde a primeira vez que escutei "Balanceiro" (faixa de maior audiência da cantora nas plataformas de streaming), "Xu" me pegou. Foi esta a canção que me convidou a mergulhar na obra e na artista (multiartista, por sinal, talentosíssima: cantora, compositora, atriz e diretora).
Segui acompanhando sua obra; e quando ela lançou 'Até cansar o cansaço', fiquei intrigada. O que a obra teria de relação com tudo que venho pesquisando, fazendo e compartilhando com vocês aqui, neste espaço? Com a sociedade do cansaço, a vida 24/7, a vida acelerada e as saídas coletivas possíveis?
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Será que este disco está relacionado à exaustão coletiva e pode nos provocar a pensar juntos sobre isso? Será que — como faz toda bela obra de arte — gera reflexão e, ao mesmo tempo, oferece um descanso possível, um vislumbre de esperança?
A própria Juliana tem esta leitura do seu trabalho. Em depoimento a esta coluna, ela falou do papel da arte (e desta obra) para lidar com a exaustão coletiva e para nutrir esperança.
Vale o adendo. Arte não tem que "servir" para nada, não está "a serviço" de nada, no sentido de que precisa........
