Norte do Paraná precisa se preparar para novos eventos climáticos
Vaivém das Commodities
A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP
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Norte do Paraná precisa se preparar para novos eventos climáticos
Terra fértil, por ora, faz produtor retardar cuidados com o manejo do solo
Consultor diz que agricultor precisa sair um pouco do modelo tradicional de cultivo
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Tradicional no plantio de soja, o norte do Paraná vinha passando por períodos de baixa produtividade havia vários anos, devido a efeitos climáticos. A safra que começa a ser colhida neste ano está em melhores condições do que a de períodos recentes no norte pioneiro do estado. A chuva tem sido regular e veio no momento de floração e de enchimento de grãos. Além disso, a incidência de pragas e de doenças foi menor.
Outro componente positivo foi a temperatura mais baixa, o que ajudou a manter mais umidade no solo. A produtividade é boa e as primeiras áreas irrigadas que estão sendo colhidas indicam 80 sacas por hectare. Já a soja de sequeiro deverá ficar próxima a 65 sacas. As avaliações são de Danley Souza, engenheiro agrônomo e sócio da Agro Infinity, consultoria que atua no norte do Paraná e no sul de São Paulo.
Souza, com passagens pela Embrapa, pelo Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), pela Cocamar e pelo Paraguai, diz que a região pode obter produtividade melhor. O produtor, no entanto, tem de partir para outras práticas de manejo e deixar os métodos tradicionais que vem utilizando há anos.
A terra da região é fértil, e uma regularidade nas chuvas já garante produção, mas as crises climáticas têm se acentuado, e o agricultor deve se preparar para o futuro. "O produtor tem de buscar novas práticas de manejo e sair um pouquinho do que vem sendo feito há muito tempo seguidamente." E isso demanda tempo e não terá resultado de uma safra para outra.
O aumento de produção e de rentabilidade passa pelo solo. "Olhar para o pH, para a disponibilidade dos nutrientes e, principalmente, pensar em como se defender desses efeitos climáticos, cada vez mais recorrentes."
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Uma das saídas é a rotação de culturas, disponibilizando mais matéria orgânica no solo para que ele seja descompactado e aerado. Esse é um dos pilares para a região conseguir elevar o patamar de produção, afirma. Mas isso tem de ser feito gradativamente, e o resultado não vem do dia para a noite. Muitos que iniciam esse processo acabam desistindo por não ver um resultado imediato.
O solo do norte do Paraná é denso, bastante argiloso —índice acima de 70%— e tem uma facilidade muito grande de ficar compactado e perder porosidade. A matéria orgânica e a consequente cobertura vão ajudar. Retêm a água por mais tempo, evitando a rápida evaporação, e auxiliam no controle de plantas daninhas, inibindo a germinação. Além da braquiária, uma das soluções seria a adoção de um mix de plantas ou o plantio de apenas uma das variedades. Elas podem ter tanto a função de gerar matéria orgânica como a de controlar nematoide e a descompactação do solo, afirma.
Esse sistema de cobertura pode ser feito de forma escalonada. O produtor reserva uma parte da área por ano, até completar 100% de sua propriedade. "E o ideal seria recomeçar depois de fechados os 100%", segundo Souza. Para ele, a região está muito carente de bons engenheiros agrônomos, o que dificulta a chegada de novas tecnologias aos produtores. A demanda é grande por venda de produtos, quando deveriam chegar mais informações sobre as novas tecnologias.
Apesar do solo fértil, essa região do Paraná tem de se preparar para os eventos climáticos se quiser manter um patamar crescente de produção, afirma o engenheiro agrônomo.
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