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Séries expõem proporções épicas de misérias humanas

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25.02.2026

Jornalista e crítico de TV, autor de "Topa Tudo por Dinheiro". É mestre em sociologia pela USP

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Séries expõem proporções épicas de misérias humanas

A excelente 'O Testamento' é tragédia movida por ganância, ressentimentos e traições

Série do Globoplay contrasta com a enfadonha 'America's Next Top Model: Choque de Realidade'

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Anita Harley tinha 69 anos quando sofreu um AVC que a deixou em coma, em novembro de 2016. Inconsciente desde então, a empresária que comandava uma das maiores redes varejistas do país, a Pernambucanas, se tornou objeto de um imbróglio jurídico complexo, que até hoje se arrasta por diferentes tribunais, com mais reviravoltas do que novela das nove. O caso é uma tragédia de grandes proporções, movida por ganância, ressentimentos, traições, brigas entre parentes e versões absolutamente conflitantes de cada detalhe da história. Miséria humana de proporções épicas. Nas mãos da jornalista Camila Appel, diretora da excelente série documental "O Testamento", esse drama é descrito de forma olímpica, sem condescendência, pena ou simpatia com os muitos agentes envolvidos. Ela evita, ainda, o didatismo, deixando nas mãos do espectador a decisão de acreditar ou não numa miríade de versões e interpretações, muitas delas estapafúrdias ou cômicas.

Só de advogados, se não errei a conta, são oito os entrevistados. Cada um defendendo alguma parte, não ajudam em nada no esclarecimento do assunto, mas iluminam os interesses de seus clientes. Outras 20 pessoas, entre envolvidos diretamente na disputa, parentes de Anita e amigos de algum dos lados, falam diretamente à câmera, expondo contradições e afetações. Há bons motivos para tanta confusão. O caso diz respeito à disputa pelo direito de administrar uma fortuna estimada em R$ 2 bilhões. Um testamento vital deixado por Anita foi anulado pela Justiça. Duas mulheres, em campos opostos, se declararam companheiras afetivas da empresária. Cristine Rodrigues foi secretária de confiança dela. Sônia Soares, vulgo Suzuki, residiu na mansão da empresária. Arthur Miceli, filho de Suzuki, foi considerado filho socioafetivo de Anita.

Figura de pouca visibilidade na mídia, por anos Anita ocupou um andar inteiro do hotel Ca'd'oro, em São Paulo, onde tinha escritório e vivia. Após o fechamento do hotel, em 2009, ela mudou-se para uma mansão de 96 cômodos, 37 banheiros e cinco cozinhas no bairro da Aclimação. Esse imóvel, avaliado em R$ 50 milhões, foi doado a Suzuki com reserva de usufruto. Camila Appel, uma das responsáveis pela divulgação das primeiras denúncias de abuso sexual do médium João de Deus, em 2018, está investigando o drama em torno de Anita Harley desde 2022. Com roteiro assinado por ela, Ricardo Calil e Iuri Barcelos, "O Testamento" dificilmente se limitará aos cinco episódios disponíveis no Globoplay. O caso ainda está longe de terminar.

Para quem se interessa pelo gênero, vale observar o contraste entre "O Testamento" e "America's Next Top Model: Choque de Realidade", série recém-lançada pela Netflix que relembra o reality show caça-talentos criado e apresentado pela modelo Tyra Banks, exibido por 24 temporadas, entre 2003 e 2018. Dirigida por Mor Loushy e Daniel Sivan, a produção se propõe a mostrar como o programa foi ofensivo e degradante com as participantes. O resultado, porém, é esquemático, enfadonho, frouxo e, de alguma forma, condescendente com a criadora do reality. A série força a barra no esforço de emocionar o espectador, relembrando inúmeras situações de exposição a riscos de saúde, humilhações, racismo, gordofobia, machismo e assédio sexual e moral, entre muitos outros pecados, exibidos ao longo dos anos. Tyra Banks e os três jurados que celebrizaram o reality se justificam dizendo que não tinham noção, na época, dos abusos que cometeram ou deixaram acontecer.

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