Poucas atrações cobram preço tão alto pela fama e o dinheiro quanto o BBB
Jornalista e crítico de TV, autor de "Topa Tudo por Dinheiro". É mestre em sociologia pela USP
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Poucas atrações cobram preço tão alto pela fama e o dinheiro quanto o BBB
Versão brasileira desafia lógica da indústria do entretenimento
Sol Vega, desclassificada, ouvirá julgamentos por seus atos
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A edição brasileira do Big Brother segue desafiando a lógica da indústria do entretenimento, que normalmente despreza atrações antigas e se desdobra para inventar novidades. Lançado em 2002, o reality show da Globo está em sua 26ª edição, ainda provocando espanto, revolta e admiração, além de gerar lucros extraordinários para a emissora e empresas parceiras.
Uma franquia holandesa, exibida nos mais variados cantos do planeta, o Big Brother encontrou no Brasil o seu habitat mais caloroso e receptivo. Anualmente, uma parcela significativa do público se rende aos encantos do programa, cuja essência é a exposição pública da intimidade de um grupo de duas dezenas de pessoas, 24 horas por dia.
A seleção dos participantes do BBB, uma arte que a Globo refinou com o tempo, privilegia perfis com potencial de gerar conflitos. O programa depende de antagonismos. Participantes se aliam e se repelem. Com dinâmicas eventualmente cruéis, física e psicologicamente, a direção estimula a confusão.
O caso de Solange Vega, conhecida como Sol, que participou duas vezes do BBB, é altamente ilustrativo da complexidade de situações que o reality show provoca. Natural de Mogi Guaçu, no interior paulista, de origem humilde, trabalhando como frentista, Solange terminou em quarto lugar no BBB 4, realizado entre janeiro e abril de 2004. Muito à vontade, cometendo erros de português, ela foi alvo de zombaria dentro e fora do programa. A forma como cantou a música "We Are The World" entrou para o folclore do programa.
Sua primeira passagem pelo reality da Globo é também muito lembrada por ela ter sido alvo de comentários racistas. Em meio a provocações de parte a parte com uma rival, Sol ouviu uma observação sobre o seu cabelo crespo. "Um cabelo pixaco desse, precisa de alisabel", disse Marcela, ao citar um produto utilizado para deixar cabelos mais lisos.
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É difícil saber o que motivou Sol, 22 anos depois, a aceitar o convite para voltar a participar do BBB 26, desta vez com o status de "veterana". Ela agora se apresentou como atriz e empresária. O seu currículo informa que nos últimos anos atuou em peças de teatro e teve um pequeno papel, em 2018, na série "Supermax", da Globo.
Ao longo dos primeiros 30 dias do atual confinamento, Sol chamou a atenção por não esconder que a participação no programa de 2004 foi traumática para ela. Várias vezes falou do assunto. Na semana passada, provocada por uma participante, que a acordou cedo sem motivo, Sol perdeu o controle.
Aos gritos, discutiu com uma outra participante veterana, Ana Paula Renault e, a certa altura, empurrou e apertou um braço da rival, o que caracterizou descumprimento das regras do programa. Sol foi precocemente desclassificada do BBB 26.
Não há dúvidas de que a participação em um programa popular de televisão pode proporcionar progresso econômico e status de celebridade. Mas poucas atrações cobram um preço tão alto em troca dessas vantagens quanto o BBB. Sol possivelmente vai usufruir de vantagens, mas também ouvirá muitos julgamentos por seus atos no reality show.
Suponho que a Globo tenha imaginado que a participação de Sol no BBB 26 seria uma forma de reparação pelo que ela sofreu no BBB 4. As coisas não saíram da forma como previsto. Ainda assim, segundo informou a Folha, a emissora não deverá romper o contrato com a participante, como costuma fazer com candidatos expulsos. E o programa segue em frente.
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