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A realidade de um mundo após a ruptura da velha ordem

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28.01.2026

Comentarista-chefe de economia no Financial Times, doutor em economia pela London School of Economics

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Na reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, na semana passada, ouvimos Donald Trump fazer um discurso confuso, impregnado de sua já conhecida mistura de ressentimento e megalomania. Também ouvimos Mark Carney, ex-banqueiro central e hoje primeiro-ministro do Canadá, proferir um discurso brilhante sobre o fim da velha ordem e as opções para as "potências médias". Este último foi o evento mais relevante.

Carney começou citando um ensaio de Václav Havel, escritor, dissidente e primeiro presidente da Tchecoslováquia pós-comunista. Nele, Havel argumentava que o comunismo se sustentava, nas palavras de Carney, "por meio da participação de pessoas comuns em rituais que elas sabem, em privado, serem falsos".

De modo semelhante, afirmou Carney, "em grande medida evitamos apontar as lacunas entre a retórica e a realidade" daquilo que chamávamos de "ordem internacional baseada em regras". Mas, no mundo atual de interdependência instrumentalizada, "não é possível viver na mentira do benefício mútuo por meio da integração quando a integração se torna a fonte da sua subordinação". Hoje, argumentou, marca uma "ruptura, não uma transição". Ele estava certo.

Carney insistiu não apenas que a velha ordem não vai voltar, mas que "não deveríamos lamentá-la. Nostalgia não é estratégia". A frase seguinte, em que ele afirmou "acreditamos que, a partir da fratura, podemos construir algo melhor, mais forte, mais justo", é uma esperança, mas também não é uma estratégia. Um analista sóbrio precisa perguntar se e até que ponto isso pode se tornar uma.

Se quisermos transformar esperança em realidade, precisamos perceber que o........

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