Filme sobre irmãos Lumière mostra que o mundo pouco mudou
Jornalista, é autor de "Notícias do Planalto"
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O passado não existe. O que existe são fragmentos do passado: textos, imagens, testemunhos. Os estilhaços não formam um todo, não recuperam o acontecido. Quatro versos de "Praia do Caju", de Ferreira Gullar, apagam a luz e dizem isso:
"O que passou passou.
Jamais acenderás de novo
o lume
do tempo que apagou."
Os filminhos dos inventores do cinema, os irmãos Auguste e Louis Lumière, são cacos do passado, momentos marcados pela morte: os seres humanos, vegetais e animais que aparecem na tela não existem mais.
O cinema não os traz de volta à vida, mas suas imagens fazem com que se imagine como eram. Como imagens fomentam a imaginação, o lume dos Lumière ilumina momentos para sempre perdidos.
Dos 1.428 filmes que os irmãos produziram em dez anos, 108 são mostrados no documentário "Lumière! A Aventura Continua", ora em cartaz. Desde que foram feitos, entre 1895 e 1905, nunca estiveram tão nítidos, pois que recuperados com tecnologia de ponta. E jamais foram tão pertinentes quanto agora, tanto no sentido estético quanto histórico.
Os filmetes têm forma fixa. A câmera, instalada num tripé, fica imóvel. A duração é de 50 segundos, o tempo máximo permitido pela tecnologia da época. Não........
