menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Filme sobre irmãos Lumière mostra que o mundo pouco mudou

7 7
17.01.2026

Jornalista, é autor de "Notícias do Planalto"

Recurso exclusivo para assinantes

assine ou faça login

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Recurso exclusivo para assinantes

assine ou faça login

O passado não existe. O que existe são fragmentos do passado: textos, imagens, testemunhos. Os estilhaços não formam um todo, não recuperam o acontecido. Quatro versos de "Praia do Caju", de Ferreira Gullar, apagam a luz e dizem isso:

"O que passou passou.
Jamais acenderás de novo
o lume
do tempo que apagou."

Os filminhos dos inventores do cinema, os irmãos Auguste e Louis Lumière, são cacos do passado, momentos marcados pela morte: os seres humanos, vegetais e animais que aparecem na tela não existem mais.

O cinema não os traz de volta à vida, mas suas imagens fazem com que se imagine como eram. Como imagens fomentam a imaginação, o lume dos Lumière ilumina momentos para sempre perdidos.

Dos 1.428 filmes que os irmãos produziram em dez anos, 108 são mostrados no documentário "Lumière! A Aventura Continua", ora em cartaz. Desde que foram feitos, entre 1895 e 1905, nunca estiveram tão nítidos, pois que recuperados com tecnologia de ponta. E jamais foram tão pertinentes quanto agora, tanto no sentido estético quanto histórico.

Os filmetes têm forma fixa. A câmera, instalada num tripé, fica imóvel. A duração é de 50 segundos, o tempo máximo permitido pela tecnologia da época. Não........

© UOL