menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

É equívoco atribuir o desastre da Cuba socialista ao desumano embargo de Trump

11 0
26.02.2026

Maria Hermínia Tavares

Professora emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, é pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap)

Link externo, e-mail de Maria Hermínia Tavares

Recurso exclusivo para assinantes

A agonia de Cuba socialista

É equívoco atribuir o desastre ao desumano embargo de Donald Trump

Na ilha só resta o aparato repressor que sustenta o governo

dê um conteúdo benefício do assinante Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. benefício do assinante Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha. Já é assinante? Faça seu login ASSINE A FOLHA

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois Salvar artigos Recurso exclusivo para assinantes assine ou faça login

Recurso exclusivo para assinantes

No magnífico romance "O Homem que Amava os Cachorros", de 2009, o escritor cubano Leonardo Padura traça um grande afresco do fracasso do socialismo real, por meio das histórias entrelaçadas de três personagens: Leon Trótski, dirigente da Revolução de 1917, forçado ao exílio pela implacável perseguição de Josef Stálin; o espanhol Ramon Mercader, militante comunista que penetra no refúgio do líder revolucionário russo no México para assassiná-lo; e o escritor cubano Ivan Cárdenas, personagem de ficção, que nos conta a história dos dois primeiros.

Trótski e Mercader vivem tragédias épicas: o primeiro, líder de massas, é atropelado pela degradação da Revolução Russa das promessas igualitárias em sangrenta máquina totalitária; o outro, revolucionário comunista, se transforma em assassino a serviço de Moscou após o esmagamento da república espanhola pelos fascistas de Francisco Franco.

Cárdenas, o narrador, tem um destino menos heroico: o fracasso de seu projeto de se tornar escritor, tragado pelo lento desmoronar das promessas da Revolução Cubana e pelo amargo cotidiano na ilha de Fidel Castro. No final, morre soterrado quando vem abaixo o teto de sua casa decrépita —como são, de verdade, as casas da maioria dos cubanos forçados à reiterada penúria.

Ícone Facebook Facebook

Ícone Whatsapp Whatsapp

Ícone de messenger Messenger

Ícone Linkedin Linkedin

Ícone de envelope E-mail

Ícone de linkCadeado representando um link Copiar link Ícone fechar

O destino de Ivan Cárdenas, personagem de romance, vem à mente a cada descrição do dia a dia de privações enfrentadas pelos habitantes de carne e osso da ilha caribenha nos dias que correm. O sistema socialista cubano agoniza, sob impacto do desumano embargo imposto por Donald Trump, que cortou o acesso do país ao petróleo importado. Mas seria um equívoco atribuir o desastre presente à medida decretada pelo truculento presidente americano, ou mesmo ao bloqueio econômico que os Estados Unidos impõem ao regime castrista desde 1962.

O fracasso econômico de Cuba se deve em larga medida ao desenho e à administração do modelo socialista; e à maneira como, desde os anos 1990, reformas para flexibilizá-lo foram concebidas e implementadas.

Assim, o cientista político Carmelo Mesa-Lago, da Universidade de Pittsburgh, especialista em assuntos cubanos, rejeita as explicações antagônicas segundo as quais tudo se deveria ou ao "embargo" ou ao "comunismo". Para ele, a adoção de um modelo ineficiente —baseado no controle estatal da atividade econômica— e reformas mal desenhadas são a causa central do desastre. Mas o embargo, o colapso da Venezuela e os choques econômicos globais são poderosos fatores secundários.

De fato, experiências de reformar o socialismo real só foram bem-sucedidas quando significaram transitar para formas peculiares de economias de mercado, sob forte coordenação estatal —que de socialismo pouco têm—, como ocorreu no Vietnã e na China. O que nunca se mostrou possível foi avançar em reformas políticas que garantissem o pluralismo e o respeito às liberdades fundamentais, muito menos a democracia representativa.

Na agonizante Cuba, que já retrocedeu até nos ganhos reais em saúde e educação, o que sobra do socialismo real é o aparato repressor que sustenta o governo de partido único.

Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha

LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

dê um conteúdo benefício do assinante Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. benefício do assinante Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha. Já é assinante? Faça seu login ASSINE A FOLHA

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois Salvar artigos Recurso exclusivo para assinantes assine ou faça login

Recurso exclusivo para assinantes

Leia tudo sobre o tema e siga:

sua assinatura pode valer ainda mais

Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas (conheça aqui). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

sua assinatura vale muito

Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

Leia outros artigos desta coluna

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/maria-herminia-tavares/2026/02/a-agonia-de-cuba-socialista.shtml

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

notícias da folha no seu email

notícias da folha no seu email

Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo, Elio Gaspari, Djamila Ribeiro, Tati Bernardi, Dora Kramer, Ruy Castro, Muniz Sodré, Txai Suruí, José Simão, Thiago Amparo, Antonio Prata e muito mais.

O Brasil e a proposta de expansão do Brics

O Brasil e a proposta de expansão do Brics

Hora de dar adeus a Cuba

Hora de dar adeus a Cuba

Guarda costeira de Cuba mata quatro pessoas em barco americano

Guarda costeira de Cuba mata quatro pessoas em barco americano


© UOL