Mais uma lição de Vinicius Junior
Jornalista e comentarista da TNT Sports. Viu Messi jogar mais de 100 vezes e há dez anos cobre o dia a dia da Liga dos Campeões
Recurso exclusivo para assinantes
Mais uma lição de Vinicius Junior
Se diante de centenas de câmeras acontece assim, imagine em outros ambientes
Cobrir a boca para esconder o que fala é confissão de culpa
dê um conteúdo benefício do assinante Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. benefício do assinante Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha. Já é assinante? Faça seu login ASSINE A FOLHA
benefício do assinante
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
benefício do assinante
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Salvar para ler depois Salvar artigos Recurso exclusivo para assinantes assine ou faça login
Recurso exclusivo para assinantes
Nesta terça-feira (17), Vinicius Jr. precisou passar por mais um teste sobre até onde vão sua paciência, sua grandeza e seu desejo de jogar futebol. Desta vez veio do campo de jogo e o brasileiro precisou seguir compartilhando espaço com seu agressor. Giuliano Prestianni é um covarde que atira a pedra e esconde a mão. Falar colocando na boca a camiseta é também uma confissão de culpa.
Aqui estamos para aprender, como sociedade, com o exemplo de Vinicius. Desde que decidiu não baixar a cabeça e denunciar os constantes insultos, Vini mostrou que o preto que se rebela e levanta a voz é um insolente e um gerador de problemas. Sim, a lógica é a inversa e a vítima é quem cria o tumulto, na cabeça de uma sociedade na qual as vozes dominantes são brancas.
Desta vez, a lição me parece muito clara: Vini —e os pretos— estão sozinhos na hora de denunciar. Em um jogo de futebol transmitido para todo o planeta, um dos jogadores mais midiáticos de sua geração se vê impotente ao tentar denunciar a agressão ao topar com a barreira de "uma palavra contra a outra".
Se isso acontece com Vinicius e uma infinidade de câmeras ao seu redor, não é difícil imaginar o que acontece nas periferias, nos ambientes de trabalho, no trânsito ou nas abordagens policiais. É impossível, para uma pessoa branca como eu, imaginar quanta violência explícita ou estrutural é jogada para debaixo do tapete porque tudo se resumiria a versão da "suposta vítima" versus a do "suposto agressor".
O futebol é essa grande metáfora do mundo e o planeta viu nesta semana que o agressor segue no mesmo ambiente da vítima, impune e cínico, trabalhando normalmente.
Qual a chance de Prestianni pagar pelo que (precisamos colocar assim) "supostamente" fez? É preciso que os jogadores que presenciaram a cena denunciem. Killyan Mbappé foi aos microfones depois do jogo dizer que ouviu por cinco vezes o insulto de "macaco". Companheiros de Benfica também deveriam se manifestar. Quando os outros se calam, deixam Vinicius sozinho e sua voz perde força.
O mesmo acontece fora de um campo de futebol. Se presenciamos e fingimos que não ouvimos, se não denunciamos, se não endossamos a defesa, fica muito difícil que um agressor pague pelo que fez. Porque, no final das contas, na grande maioria das vezes, será a palavra de um contra a do outro.
O próximo passo é entender o que o Benfica fará. Por enquanto, defende seu jogador e diz que Vinicius entendeu errado o que foi dito (segundo Tchouameni, do Real Madrid, Prestianni alegou chamar Vinicius de "maricon"). O clube vai seguir escalando-o como se nada tivesse acontecido? No próximo jogo, a torcida irá cantar o seu nome? Os jogadores pretos do vestiário vão considerar o caso um grande mal-entendido?
Esta situação também é análoga a outras que vivemos fora das quatro linhas. Um parente, um companheiro de trabalho, um amigo de infância. É mais fácil atuar quando estamos próximos à vítima do que do agressor?
Ícone Facebook Facebook
Ícone Whatsapp Whatsapp
Ícone de messenger Messenger
Ícone Linkedin Linkedin
Ícone de envelope E-mail
Ícone de linkCadeado representando um link Copiar link Ícone fechar
Um jogo de futebol pode nos ensinar muitas coisas. Quando Vinicius Jr. está em campo, muito mais. Temos que aprender que um jogador capaz de fazer um golaço e decidir uma partida é também capaz de seguir em campo lutando mesmo sabendo que o inimigo mais cruel está do outro lado, com a frieza cruel da lei ao seu lado. Assim como fazem os pretos Brasil e mundo afora, todos os dias.
Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
dê um conteúdo benefício do assinante Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. benefício do assinante Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha. Já é assinante? Faça seu login ASSINE A FOLHA
benefício do assinante
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
benefício do assinante
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Salvar para ler depois Salvar artigos Recurso exclusivo para assinantes assine ou faça login
Recurso exclusivo para assinantes
Leia tudo sobre o tema e siga:
sua assinatura pode valer ainda mais
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas (conheça aqui). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
sua assinatura vale muito
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Leia outros artigos desta coluna
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcelo-bechler/2026/02/mais-uma-licao-de-vinicius-junior.shtml
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
notícias da folha no seu email
notícias da folha no seu email
Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo, Elio Gaspari, Djamila Ribeiro, Tati Bernardi, Dora Kramer, Ruy Castro, Muniz Sodré, Txai Suruí, José Simão, Thiago Amparo, Antonio Prata e muito mais.
A trapaça e o escorregão de Andreas
A trapaça e o escorregão de Andreas
Acertadamente, Corinthians decide fazer curativo em vez de maquiagem
Acertadamente, Corinthians decide fazer curativo em vez de maquiagem
O Brasileirão precisa divertir
O Brasileirão precisa divertir
