Comportamento de Gonet é classificado como omisso por parlamentares
Comportamento de Gonet é classificado como omisso por parlamentares
Deputados e senadores criticaram a postura do procurador-geral da República Paulo Gonet de não pedir a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.
A Polícia Federal descreveu ordens de Vorcaro para ações violentas contra o jornalista Lauro Jardim e antigos funcionários do banqueiro. Na representação enviada ao ministro do STF André Mendonça, a PF pediu sua prisão. Mas a PGR, comandada por Gonet, alegou prazo exíguo e não se manifestou sobre o caso. Mendonça criticou a postura da PGR e autorizou as medidas.
"Se fosse ameaça de quebrar os dentes de um ministro do STF, Gonet teria pedido a prisão. Só troca [os alvos das ameaças] por um ministro do STF. Os critérios que eles [PGR e STF] têm usado são esses", disse à coluna a deputada Júlia Zanatta (PL-SC).
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A PF também mostrou que Vorcaro acessou dados sigilosos do MPF, PF e FBI. Para Zanatta, a situação poderia ser comparada com a da ex-deputada Carla Zambelli, processada e presa por invadir o sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
O deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) republicou em rede social uma postagem que compara a postura de Gonet no caso Master e na trama golpista —bolsonaristas consideram que o PGR perseguiu aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. "Gonet resumido. Tomou esporro do Mendonça e não foi à toa", escreveu o deputado.
Outra parlamentar da oposição afirma que Gonet está sendo "omisso" por causa de sua proximidade com alguns ministros do STF. Gonet foi sócio de Gilmar Mendes no IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público).
Avaliação semelhante é feita por um deputado governista, que também pediu para não ter o nome divulgado. Para ele, Gonet está alinhado ao "centrão do STF", um grupo de ministros que tem proximidade com parlamentares envolvidos com Vorcaro e que quer abafar o escândalo. Esse grupo, afirma, está irritado com o governo por não conseguir impedir o avanço da operação.
Um senador governista que também não quer ser identificado diz que o caso Master tem causado tanta preocupação entre seus colegas que "não surpreende" a falta de entusiasmo do procurador-geral com o tema.
Já uma deputada da base governista avalia que o receio de Gonet "mostra que a República está perto de cair".
Além de parlamentares, integrantes do Ministério Público ouvidos pelo UOL também criticaram a postura de Gonet no caso.
A PGR não atendeu o pedido de manifestação feito pela reportagem, mas o UOL apurou que a avaliação no entorno de Gonet é de que sua gestão tem se preocupado em não promover atos que possam ser anulados no futuro.
André Mendonça enviou para PGR a representação da PF. A PGR alegou que era "de impossível atendimento" o tempo para se manifestar, uma vez que era um "prazo exíguo, contado em horas".
"O encaminhamento dos autos acompanhado do pedido de cota do parquet envolve situações relacionadas a dez pessoas físicas e a cinco pessoas jurídicas, envolvidas em fatos de alta complexidade e se refere a pedidos de medidas drásticas, de mais intensa interferência sobre os mais elementares direitos fundamentais dos investigados", respondeu a PGR.
O órgão acrescentou que não havia urgência em analisar o caso, ainda que a PF tenha apontado Vorcaro fazendo ameaças à integridade física de algumas pessoas.
Mendonça negou o pedido de mais de prazo. Disse que a PF apresentou "robusto quadro fático-probatório" e que "lamenta-se" que a PGR não tenha visto urgência no pleito.
O ministro escreveu a expressão "lamenta-se" duas vezes e reforçou seu posicionamento acerca da urgência das medidas pedidas pela PF.
Para Mendonça, as evidências dos ilícitos "estão fartamente reveladas" e a urgência é necessária pois "se está diante da concreta possibilidade de se prevenir possíveis condutas ilícitas contra a integridade física e moral de cidadãos comuns, de jornalista e até mesmo de autoridades públicas".
O ministro apontou, ainda, indicativos de ter havido acesso indevido dos sistemas sigilosos da PF, do MPF e até da Interpol.
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