Além do peso: 20 pontos que determinam o sucesso do tratamento de obesidade
Além do peso: 20 pontos que determinam o sucesso do tratamento de obesidade
Na era dos novos medicamentos contra a obesidade, capazes de levar a perdas maiores que 15% ou 20% do peso inicial, a impressão que se tem é que o ponteiro da balança é o grande responsável por revelar o sucesso do tratamento. Mas aí é que está: a obesidade não é somente o peso da gordura no corpo e os centímetros que ela alarga suas formas. Obesidade é, sobretudo, o que essa gordura faz pelo corpo.
Inflamada por natureza, ela está associada a mais de 200 doenças, da osteoartrite ao infarto, do diabetes ao câncer, da apneia do sono ao Alzheimer. "Existem pessoas com obesidade severa que, mesmo perdendo 20% do peso inicial com essas novas medicações, continuam com IMC (índice de massa corporal) elevado", lembrou o endocrinologista brasileiro Bruno Halpern, presidente da World Obesity Federation, anteontem (3 de agosto), em uma excelente participação no programa Roda Viva, da TV Cultura.Calcule, então: alguém com 180 kg, por exemplo, mesmo eliminando 25% do peso, ficará com 135 kg. Logo, continuará com obesidade. Não terá valido a pena emagrecer? "Claro que sim! Sua saúde terá melhorado bastante. E é o que até mesmo profissionais de saúde precisam aprender a ver", garante Halpern que, antes da gravação do programa, conversou comigo sobre o longo trabalho de revisão que realizou ao lado de especialistas de 29 países.
Ao longo de dois anos, ele e seus colegas se reuniram várias vezes, examinando tudo o que havia na literatura científica para chegar a um consenso, publicado na revista The Lancet, sobre 20 desfechos, isto é, 20 possíveis resultados do tratamento de obesidade que merecem avaliação (cada um deles está em negrito abaixo).
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"A ideia do documento é mostrar o que a gente deve perguntar antes, durante e depois da jornada de perda de peso para entender o sucesso da intervenção", diz Halpern. "O peso, em si, é um dos pontos. A circunferência abdominal, também. Mas há muitos outros."
O artigo sugere questionários para serem aplicados nas consultas. Mas o endocrinologista reconhece que, na prática clínica, nem sempre médico e paciente terão........
