Quando a vida briga com o futebol
Quando a vida briga com o futebol
Há duas críticas recorrentes e antagônicas ao jornalismo esportivo: misturar esporte com política é uma; falar de esporte enquanto o mundo pega fogo é outra.
A primeira é simplesmente bobagem porque tudo se mistura com política, até o modo com que você toma o café da manhã.
É você que o prepara? É alguém que vive com você? É alguém que trabalha para você? É um mordomo que o serve?
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A segunda faz mais sentido, embora ignore a capacidade do ser humano em encontrar paliativos nas situações mais graves.
São inúmeros os casos de tropas inimigas que disputaram peladas em meio à trégua numa guerra.
O país pode estar em ruínas e nem por isso você deixa de ir ao cinema, ler um livro, ouvir música ou sorrir com uma brincadeira.
Não fosse assim e seria impossível sobreviver.
Como dormir em sua casa se milhões estão ao relento?
Ou você abstrai, ou sucumbe ao desespero.
Veja os dias que correm.
A maioria dos filmes e documentários em 2026 é sobre política, guerras, misérias, horror.
Ditaduras são abordadas dos mais diversos ângulos, distopias são relatadas com maestria.
Nada mais dilacerante que "A Voz de Hind Rajab", para ficar apenas num deles.
Depois de vê-lo, como assistir a um jogo de futebol..
Inevitável pensar que se os nazistas fizeram o que fizeram com os judeus; se a Rússia invade a Ucrânia; se Israel faz o que faz com Gaza ou se os Estados Unidos agride a Venezuela e o Irã, independentemente de seus regimes, como se preocupar com a Copa do Mundo de futebol?
No entanto, nos mobilizaremos.
Aí é preciso dizer que, de fato, nada faz sentido.
Ainda vamos discutir se Neymar irá à Copa quando sabemos que Hind Rajab está morta, aos seis anos?
Sim. Vida que segue. Bola para frente.
Somos o que somos, a raça humana, um projeto que está longe de dar certo.
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