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Registro da Papudinha mostra zelo com saúde de Bolsonaro

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14.03.2026

Registro da Papudinha mostra zelo com saúde de Bolsonaro

Sob o impacto da nova hospitalização de Bolsonaro, na sexta-feira, o primogênito Flávio declarou que "estão brincando com a saúde" do seu pai. Neste sábado, o presidenciável do PL insinuou que a prisão em regime fechado submete o líder do complô do golpe ao risco de morte. A leitura do registro de atendimento médico de Bolsonaro na Papudinha indica o contrário.

Neste sábado, Flávio Bolsonaro reproduziu conversa que teve com um dos médicos do seu pai, Leandro Echenique. "O doutor me falou: 'Flávio, mais uma vez, teu pai escapou por pouco. Porque, se ele ficasse mais uma ou duas horas lá no 19º Batalhão [Papudinha] e não fosse levado ao hospital, ele tinha grandes chances de se complicar". Disse que o preso "escapou por pouco."

As anotações da médica Ana Cristina Neves, que dava plantão na Papudinha na noite de quinta-feira foram divulgadas neste sábado pelo Globo. Indicam que o atendimento merece aplausos, não o contrário. Bolsonaro teve uma de suas crises de soluço. Acionada, a doutora Ana Cristina avaliou o paciente às 20h40. Estava acompanhada de uma enfermeira.'

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Bolsonaro estava "lúcido e orientado, eupneico em ar ambiente." Eupneico é o termo médico que indica uma respiração normal, tranquila e sem esforço. Sua dieta tivera "boa aceitação". Ele havia caminhado 5 km à tarde. Assistia a uma partida de futebol na TV.

Por precaução, a médica recomendou que o paciente tomasse um medicamento para atenuar os soluços. Mas Bolsonaro refugou. Disse que engoliria o remédio "após o jogo". A equipe médica da Papudinha foi acionada novamente às 6h45. Bolsonaro relatou que tivera "náuseas e tremores" de madrugada, por volta das 2h. Negou que tivesse padecido de vômitos, falta de ar, corizas ou dificuldades respiratórias.

Examinado, o preso registrou febre de 38,7ºC e baixa saturação, de 82%. Recusou-se a receber medicação na veia. Tomou três medicamentos por via oral: um antitérmico, outro para enjoo e um terceiro para apressar o esvaziamento gástrico. Decorridos dez minutos, a febre aumentou: 39,1ºC. O percentual e saturação, que mede o nível do oxigênio transportado pela hemoglobina na corrente sanguínea bateu em 86%.

Neste instante, a equipe providenciou suprimento extra de oxigênio para Bolsonaro. Às 7h45, requisitou-se sua remoção para o Hospital DF Star. O SAMU foi acionado. Avisado, um dos médicos particulares de Bolsonaro, Brasil Caiado, foi até a Papudinha. Endossou a transferência para o hospital. Às 8h22, a transferência foi iniciada.

Bolsonaro chegou ao DF Star às 8h55. Foi diagnosticado com broncopneumonia bacteriana por aspiração —uma infecção pulmonar que ocorre quando saliva, alimentos, líquidos ou vômito entram na traqueia e chegam aos pulmões, em vez de irem para o esôfago.

Tomado pela reação, Flávio parece mais aliviado: "Acredito que esteja tudo bem", disse neste sábado. "Agora, ele está sob monitoramento constante, permanente. Deve ficar uns bons dias internado, porque foi grave. Foi a vez que mais encheu os pulmões dele com líquido."

O presidenciável do clã Bolsonaro esqueceu de lembrar —ou lembrou de esquecer— que a equipe médica da Papudinha não brincou com a saúde do seu pai. Ao contrário, zelou para que ele tivesse um tipo de atendimento indisponível para todos os outros presos do sistema carcerário brasileiro.

Os cárceres do Brasil hospedam cerca de 755 mil presos. Estudo divulgado em 2023 pelo Conselho Nacional de Justiça revelou que 112 mil brasileiros morreram atrás das grades entre 2017 e 2021, penúltimo ano da Presidência de Bolsonaro. Desse total, 62% feneceram à míngua acometidos por doenças como insuficiência cardíaca, infecção generalizada, pneumonia e tuberculose.

Nada impede que o condenado pela trama golpista venha a obter a ansiada prisão domiciliar. Mas a pergunta que Flávio Bolsonaro deveria fazer ao espelho é a seguinte: "Se meu pai estivesse em casa, teria obtido a assistência que lhe foi prestada na cadeia? Levando a reflexão a sério, o presidenciável do PL talvez se animasse a dar um telefonema de agradecimento para a doutora Ana Cristina Neves, a plantonista da Papudinha.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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Joao Batista Correia Lima Neto

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