Moraes concede 90 dias de alívio para Bolsonaro e para si mesmo
Moraes concede 90 dias de alívio para Bolsonaro e para si mesmo
Após cinco pedidos formulados pela defesa, Alexandre de Moraes concedeu, finalmente, a prisão domiciliar a Bolsonaro. Escorada em razões médicas, a providência foi impulsionada por fatores políticos. Ao atribuir um caráter "temporário" à reclusão domiciliar, fixando em 90 dias a validade do benefício humanitário, Moraes proporcionou alívio momentâneo ao condenado e a si mesmo.
A novidade chega num instante em que a Polícia Federal proporcionou a outro preso ilustre a melhoria das condições carcerárias. Daniel Vorcaro foi transferido de uma cela convencional para a sala VIP que abrigava Bolsonaro antes de sua transferência para a Papudinha. O investigado refletirá sobre a extensão de sua delação desfrutando de cama de solteiro, frigobar, ar-condicionado, banheiro privativo, armário e mesa de apoio. Um luxo.
Em três meses, os investigadores saberão se o dono do falecido Banco Master está disposto a incluir no acordo de colaboração judicial suas conexões no Supremo, arrastando para o miolo do escândalo o próprio Moraes, Dias Toffoli e Nunes Marques. O desdobramento do caso compõe o pano de fundo do futuro prisional de Bolsonaro.
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Para preservar a fama de xerife, combalida pelos fatos, Moraes cercou Bolsonaro de medidas cautelares. Além do uso de tornozeleira e das limitações de praxe —veto a celulares, internet e à gravação de áudios e vídeos—, proibiu qualquer visita à exceção dos filhos, advogados, médicos e fisioterapeutas.
Moraes mencionou no seu despacho a necessidade de proteger o preso do "risco de sepse" e de "infecções". Até as visitas a Michelle Bolsonaro e outros moradores da casa só poderão ocorrer mediante autorização prévia. Na prática, Moraes livrou-se da pecha de algoz de um preso debilitado, inibiu o discurso bolsonarista da vitimização e, simultaneamente, proibiu Bolsonaro de transferir para sua casa o comitê eleitoral que funcionava a todo vapor na Papudinha. Em 90 dias, o magistrado poderá recolher da conjuntura razões para optar entre o rigor médico e a flexibilização política.
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