E se o bife vier acompanhado de uma taxa de carbono?
José Henrique Mariante.
Engenheiro e jornalista, é secretário-assistente de Redação da Folha, onde trabalha desde 1992
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E se o bife vier acompanhado de uma taxa de carbono?
Europa, que já controla emissões com tarifas, discute induzir dieta saudável pelo bolso
Potência mundial da carne, Brasil deveria sair da defensiva e estudar desafios do futuro
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Uma caloria de carne consome sete calorias vegetais para ser produzida. É um sistema altamente ineficiente, que o Brasil, por uma série de circunstâncias, dominou e transformou em ponta de lança de seu agronegócio. Maior exportador de carne bovina há duas décadas, o país se tornou no fim do ano passado também o maior produtor.
O agora segundo da lista enfrenta uma série de reveses. Além da política errática do governo Donald Trump para o setor, os EUA têm sérios problemas na criação. O rebanho americano é o menor em 75 anos, reflexo de anos de seca e encolhimento de pastagens.
Não é problema que se resolva numa penada ou, como gosta de fazer o presidente americano, com postagens em CAIXA ALTA e exclamações. A falta de umidade que devora pastos é a mesma que contribuiu para 77.850 incêndios florestais no país apenas em 2025. É a mudança climática, o inexorável e árduo caminho da humanidade que Trump e, convenhamos, muitos de nós fingimos ignorar.
No mundo, áreas de pastagens devem encolher de 36% a 50% devido ao aquecimento global. Delas sai um terço da produção. Estudo do Instituto Potsdam de Pesquisa sobre Impacto Climático (PIK, na sigla em alemão) analisa o caso da África: em cenário de baixas emissões, otimista, perda de 16% da área de pastoreio até 2100; no ritmo atual de queima de combustíveis fósseis, que Trump trata como progresso, um estrago de 65%.
Outro artigo publicado pelo PIK neste começo de ano se debruça sobre soluções. Que tal fazer o contribuinte pagar pela pegada de carbono do bife até à mesa? Direta ou indiretamente, quase um quarto das emissões de gases de efeito estufa das residências europeias é proveniente da dieta de seus moradores.
Os autores defendem começar pela carne, responsável por 28% das emissões relacionadas à alimentação: cobrar integralmente o VAT, imposto sobre valor agregado. Em 2023, 22 dos 27 países da União Europeia aplicavam descontos no VAT da carne. Na Alemanha, por exemplo, 7% no lugar dos regulares 19%, também forma de subsídio aos ruralistas locais.
O ajuste reduziria a pegada de carbono do produto em até 6%, com € 26 anuais acrescidos ao orçamento de cada família. A arrecadação maior bancaria compensações sociais.
Uma alternativa a esse plano, mais eficiente do ponto de vista ambiental, seria criar uma taxa de carbono sobre os alimentos que refletisse a quantidade de emissões associadas à sua produção. Segundo o estudo, um preço de € 52 por tonelada de CO2 equivalente evitaria emissões em grau semelhante ao obtido com o aumento do VAT.
A conta por família cairia para € 12 anuais, mas o custo político de implantação seria altíssimo, como já são os € 55 por tonelada de CO2 equivalente relativos às emissões de combustíveis fósseis que os alemães consomem na bomba ou nas residências. Como já é também o CBAM, a taxa de carbono sobre importações, que estreou em janeiro na UE.
Ainda é apenas debate, mas deveria inspirar o Brasil a estudar os desafios que seu papel de rei do gado reserva para o futuro. Termômetros não se impressionam com caixa alta e exclamações.
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