Será que Lula vai sobreviver à onda da direita na América Latina?
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E foi-se mais uma trincheira da esquerda na América Latina. Agora, foi a vez da Colômbia, onde o presidente Gustavo Petro —o ex-guerrilheiro do M-19 que chegou ao poder em 2022— viu seu candidato nas eleições de domingo, Iván Cepeda, ser defenestrado pelo concorrente da direita, Abelardo de la Espriella.
Com a vitória de Espriella, o cerco a Lula e à esquerda na região vai se fechando. Desde 2025, a direita e a centro-direita ganharam todas as seis eleições disputadas na América Latina —no Chile, na Bolívia, em Honduras e na Costa Rica, além da Colômbia e do Peru, com a confirmação do triunfo de Keiko Fujimori. Das 16 eleições realizadas desde 2023, a direita levou 12. Só perdeu no México, na Venezuela, da forma que a gente viu, no Uruguai e na Guatemala.
Embora a esquerda ainda mantenha suas bases no Brasil e no México, os dois países com as maiores populações e as duas maiores economias regionais, que representam cerca de 65% do PIB (Produto Interno Bruto) latino-americano, as forças conservadoras já controlam 13 dos 20 países independentes da região, se incluirmos na conta o Haiti, onde o governo interino também se alinha ideologicamente ao bloco.
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Obviamente, todos ou quase todos os governantes de direita eleitos no período são classificados como de extrema direita ou ultradireita pela esquerda e por seus representantes e porta-vozes na academia e na imprensa.
Invariavelmente, eles também são apresentados como ameaças à democracia —aquela que, muitas vezes, a esquerda é a primeira a relativizar, ao opor sua visão sobre o sistema à dos que ousam acreditar que "a liberdade é mais importante do que o pão", nas palavras do grande Nelson Rodrigues (1912-1980) numa de suas crônicas imortais, à qual deu o título de "O ex-covarde".
É o velho recurso da esquerda para tentar deslegitimar os líderes da direita e impulsionar a narrativa de que eles são um bando de agentes do mal, que vão colocar em xeque as "conquistas" obtidas quando a esquerda estava no poder, apesar de terem recebido o apoio da maioria dos eleitores de seus países.
Muitos analistas têm atribuído a guinada política da América Latina ao apoio recebido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após seu retorno ao governo, em janeiro de 2025. Mas, ainda que Trump tenha dado uma contribuição relevante para alavancar seus aliados........
