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WhatsApp começa a cobrar por mensagens no Brasil e coloca IA na mira

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06.03.2026

WhatsApp começa a cobrar por mensagens no Brasil e coloca IA na mira

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A Meta vai cobrar no Brasil por mensagens no WhatsApp quando você conversar com chatbots de inteligência artificial, como ChatGPT (OpenAI), Copilot (Microsoft), Zapia e Luzia.

A decisão foi tomada nesta semana e é um desdobramento de uma disputa entre a empresa de Mark Zuckerberg e desenvolvedores de IA que fizeram do WhatsApp uma avenida aberta para distribuírem seus serviços a mais gente.

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Ainda que fosse pedra cantada, a medida pegou de surpresa as empresas atingidas. Algumas só notaram a mudança ao serem acionadas pela coluna. Apesar de os valores não terem sido confirmados pela Meta, tabelas acessadas pela coluna mostram que o custo por mensagem é cobrado em dólar, mas, convertido, varia de R$ 0,02 a R$ 0,33. É algo irrisório no varejo, mas, no atacado, pode chegar a milhões de reais se os chatbots de IA forem muito acionados. Uma provedora de IA diz que os pagamentos contrariam a decisão do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que liberou os chatbots no Brasil. Outra empresa atingida afirma à coluna que, mesmo autorizada, pretende deixar o WhatsApp, já que operar no aplicativo de mensagem passa a ser inviável.

O início da cobrança no WhatsApp é consequência direta de uma decisão do tribunal do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), tomada nesta quarta:

Os conselheiros rejeitaram por unanimidade o recurso de Facebook e WhatsApp, ambos controlados pela Meta, para derrubar a decisão de outro órgão do Cade, a Superintendência-Geral;

Em janeiro, a área técnica suspendeu preventivamente o veto imposto pela Meta aos chatbots de IA no WhatsApp. Além disso, abriu investigação para averiguar se a conduta afeta a concorrência, já que, na ausência de ChatGPT, Copilot e companhia, o Meta AI seria a única opção de serviço de IA no WhatsApp;

A Meta sofreu o mesmo revés em outros países, como a Itália. E, quando isso ocorreu em fevereiro, optou pela estratégia de cumprir a ordem regulatória com uma mão e cobrar das plataformas com a outra;

Como obteve uma liminar na Justiça, a dona do WhatsApp manteve a emissão dos boletos em suspenso por aqui. Nesse meio-tempo, a Zapia deu um passo ousado e anunciou a chegada de agentes de IA à sua plataforma e já prepara a entrada deles no WhatsApp.

Agora, no entanto, a cobrança chega ao Brasil. Tão logo o Cade divulgou sua decisão, a Meta reativou o plano:

Onde formos legalmente obrigados a disponibilizar chatbots de IA por meio da API do WhatsApp, estamos atualizando nossos termos e nosso modelo de preços para que possamos continuar a oferecer suporte a esses serviços.Porta-voz do WhatsApp

Não é trivial aferir o preço a ser pago por conversas no WhatsApp, mas, neste caso, a própria Meta indica como a fatura será calculada: "Por exemplo, se um usuário na Itália enviar um comando a um Provedor de IA e o Provedor enviar três respostas de mensagens que não são de modelo ao usuário em um período de cinco minutos, isso resultará em três cobranças".

Nos bastidores do WhatsApp, as mensagens de provedores de IA serão rotuladas como "general_purpose_ai" e serão cobradas, enquanto as interações de marcas e empresas que usam IA em seus canais de atendimento serão enquadradas como "AI_BOT" e ficarão isentas;

Mas de quanto será a cobrança? Eis um problema. A Meta não confirmou em qual categoria incluirá as mensagens de IA (são quatro: 1) "autenticação": para checar identidade, 2) "marketing": para envio de ofertas, 3) "utilidade": para acompanhar atividades e pedidos e 4) "serviço": para respostas sobre serviço).

O enquadramento confunde provedores ao ponto de acharem que as mensagens de seus chatbots serão classificadas como "serviço", o que, no Brasil, não gera pagamento. "É complexo para nós entendermos também", diz um executivo.

Para mensagens de marketing, o WhatsApp cobra R$ 0,33 (é o valor na moeda nacional do valor de US$ 0,0625 e considerando a cotação do dólar de R$ 5,292). Esse, porém, não parece ser o caso dos chatbots, pois as mensagens de marketing geralmente são enviadas diretamente pelas empresas para promover algum produto ou serviço.

A categoria mais plausível parece ser a de "utilidade". Nesse caso, a cobrança é variável por volume de mensagens. Ou seja, quanto mais envios, mais barato fica.

Para um pacote de 100 milhões, a conta seria a seguinte, considerando as faixas de preço aplicadas pela Meta:

Até 250 mil enviadas: R$ 8987,9 (R$ 0,0359516 por envio);

Mais 1.750.000 enviadas: R$ 60.139,625 (R$ 0,0343655 por envio);

Mais 15 milhões: R$ 483.760,5 (R$ 0,0322507 por envio);

Mais 18 milhões: R$ 551.962,8 (R$ 0,0306646 por envio);

Mais 35 milhões: R$ 999.243 (R$ 0,0285498 por envio);

Mais 30 milhões: R$ 808.911 (R$ 0,0269637 por envio).

O total da fatura no fim do mês seria de R$ 2.913.004,82, com mensagens variando de R$ 0,035 a R$ 0,026.

A cobrança recairá sobre as plataformas, mas afeta diretamente o consumidor na medida em que as empresas perdem a capacidade de atuar no WhatsApp. A Microsoft, dona do Copilot, informou que não comentaria. Já a OpenAI não respondeu até o fechamento desta reportagem.

Para a Zapia, a decisão da Meta contraria a decisão do Cade.

Pelo nosso entendimento da decisão do Cade, esses preços não deveriam ser aplicados no Brasil. A decisão determina que a Meta retorne às regras que estavam em vigor antes da política anunciada em outubro do ano passado. Ainda assim, é preciso ver como a situação vai evoluir, já que não recebemos até agora um comunicado oficial da MetaJuan Pablo Pereira, CEO da Zapia

A espanhola Luzia comemorou a decisão do Cade e, diante dos preços da Meta, entregou os pontos sobre atuar no WhatsApp. Segundo Pablo Delgado, head de comunicação, a startup ficou satisfeita por "saber das resoluções em diferentes jurisdições em relação à situação com a Meta AI e provedores de bots de IA".

Infelizmente, os preços impostos em 16 de fevereiro, que permanecem inalterados desde então, tornam inviável oferecer um serviço na escala em que a Luzia vinha operando até o momento. Esta decisão da Meta complicará a expansão de novos serviços e sufoca o desenvolvimento da concorrência entre provedores de serviços de IAPablo Delgado, head de comunicação da Luzia

Com 80 milhões de usuários, a empresa pretende agora focar em outros canais de distribuição.

A proibição aos chatbots de IA veio após a Meta alterar as regras da versão corporativa do WhatsApp. Segundo a Meta, a ferramenta foi criada para empresas fazerem negócio, mas ChatGPT, Zapia e companhia estavam sobrecarregando os sistemas com trocas de mensagem que não tinham relação com a prestação ou oferta de serviços ou a compra e promoção de produtos.

Para o tribunal do Cade, as novas diretrizes do WhatsApp podem impedir a soluções de IA generativa na plataforma e configurar dano concorrencial. Segundo o conselheiro Carlos Jacques, relator do caso, como Meta AI e WhatsApp fazem parte de uma mesma empresa, restringir a oferta de IA generativa num dos aplicativos aplicativos mais populares do Brasil tem um só objetivo final: "aumentar o valor do ecossistema".

Como orquestradora de um ecossistema digital, a Meta possui a capacidade de decidir pela entrada ou pela exclusão de complementos oferecidos no seu ecossistema. E, nesse sentido, poderia identificar ameaças aos seus serviços e adotar estratégias para impedir que complementadores ameaçem seus próprios serviçosCarlos Jacques, relator do caso no CADE

Como a análise da suspensão corre em paralelo à investigação de conduta anticompetitiva, é provável que o conselho inclua em sua análise que a presença dos chatbots de IA foi liberada no WhatsApp, mas condicionada à cobrança por mensagens enviadas por eles. E o efeito da leitura desse novo movimento da Meta pode trazer novos desfechos para o caso.

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