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Eleições e a vitória da raiva: por que ainda caímos no ragebait?

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Eleições e a vitória da raiva: por que ainda caímos no ragebait?

Imagine que aparece no seu feed um conteúdo que te choca profundamente. Você assiste, bate aquela revolta e daí você... Compartilha. Não se sinta mal por esse tipo de comportamento: é justamente assim que funciona o ragebait ("isca de raiva", em tradução livre).

A palavra do ano de 2025 da Oxford University Press continua mais atual do que nunca, e explica muito o resultado de dois jovens congressistas que explodiram de votos nas últimas eleições. Caso da dupla do Partido Liberal: Lucas Pavanato, 28 anos, e Eduarda Campopiano, 23.Ele se tornou o deputado federal mais votado da história do estado de São Paulo, com uma pauta ao redor da transfobia. Ela, deputada estadual mais votada pelos paulistas, ganhou tração nas redes pelo discurso antifeminista. No Google Trends, Pavanato teve um aumento de 900% nas buscas pelo seu nome entre domingo (5) e o mesmo anterior. Eduarda, 5000% a mais no mesmo período. O que explica isso? Ragebait.As redes sociais foram inundadas por cortes e trechos dos dois assim que saiu o resultado das eleições. Não era conteúdo novo, e sim material que foi descoberto por quem não votou na dupla, e talvez até não a conhecia até a apuração das urnas. Esse tipo de comportamento explode a bolha de vez e aumenta ainda mais a popularidade dos candidatos que até então falavam para um público bem específico.

O ragebait funciona tão bem por sua distribuição orgânica. Para o algoritmo, tanto faz se quem compartilhou concorda ou não com o material: no entendimento dele, quanto mais um rosto e uma voz circulam nas redes sociais, mais isso indica que aquilo aumentará a retenção das pessoas no celular. Em tempos de economia da atenção, isso vale ouro.

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