Viagem à Antártica
Médico cancerologista, autor de “Estação Carandiru”
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A primeira impressão é a de que estou em outro planeta ou que voltei ao passado remoto da Terra.
Do helicóptero da Marinha a visão é deslumbrante: o mar encosta em praias com pedregulhos escuros, de onde emergem montanhas vulcânicas colossais, assustadoras. Por trás delas, geleiras a perder de vista, sem limites discerníveis com as nuvens do horizonte. Lá longe, perdido na brancura do gelo infinito, um pico negro aflora como o dedo de um gigante descomunal. Não há uma árvore nem um fiapo de verde sequer, tudo é árido, branco, preto ou cinzento. Pela primeira vez me dou conta de que o branco tem inúmeras tonalidades.
A paisagem é a mesma que surpreendeu os navegantes ao chegarem à Antártica no século 19. Mesmo com a tecnologia de hoje, desembarcar aqui é tarefa complexa, que exige paciência, observação e oportunidade —como repetem os marinheiros—, porque as condições climáticas mudam a cada momento.
De repente, o céu se abriu e o reflexo na neve ofuscou meus olhos. Para compensar, o mar ficou azul-esverdeado, como se estivéssemos no Ceará. Um pouco à frente, um iceberg feito um barquinho de papel, com uma parede lateral imponente apoiada........
