Privatizar parques não é modernizar cidades
Privatizar parques não é modernizar cidades
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Este pode ser chamado o século urbano. Até 2050, mais 2,4 bilhões de pessoas viverão em cidades. No Brasil, o êxodo rural ocorre em ritmo quase duas vezes superior à média global e cerca de 86% da população já vive em áreas urbanas. No entanto, este século urbano fracassará se as cidades não garantirem acesso adequado a áreas verdes e biodiversidade, pois a saúde e o bem-estar humanos dependem de ambos.
No Brasil e no mundo, a expansão urbana rápida e mal planejada tem reduzido a biodiversidade e o acesso a espaços verdes, comprometendo saúde, estabilidade social e prosperidade econômica. Diversos estudos apontam aumento de estresse e transtornos mentais nas cidades — uma "penalidade psicológica urbana" associada ao ritmo intenso, às interações constantes e aos ambientes artificializados. Mesmo breves interações com a natureza já demonstram benefícios para a saúde mental, aliviando os sintomas dessa penalidade psicológica. Ainda assim, apenas uma pequena parcela (cerca de 13%) da população urbana mundial tem acesso suficiente à arborização para obter esses benefícios.
Há forte evidência científica de que a exposição à natureza melhora a saúde, e de que a intensidade e a duração dessa exposição importam: ver uma árvore ajuda, mas estar cercado por vegetação densa por mais tempo produz efeitos mais profundos. Maior contato com áreas verdes está associado à redução de estresse, ansiedade, depressão e doenças cardiovasculares. Doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, e nosso país lidera o mundo em prevalência de transtornos de ansiedade e em taxas de depressão. Os melhores números disponíveis são........
