Marília lança 'voo solo' ao Senado e pressiona Lula e João Campos em PE
Marília lança 'voo solo' ao Senado e pressiona Lula e João Campos em PE
A ex-deputada federal Marília Arraes, que está de saída do Solidariedade para se filiar ao PDT, resolveu antecipar sua decisão política e publicou vídeo nas redes sociais neste domingo dizendo que é candidata ao Senado e "não tem volta".
O recado foi claro: cobrar e, ao mesmo tempo, jogar pressão no prefeito do Recife, João Campos (PSB), pré-candidato ao governo do estado que ainda não fechou nomes da chapa na disputa ao Senado.
Marília garante que, independentemente de ter o apoio de João ou do presidente Lula, vai para a disputa, nem que seja em um voo solo. Na chapa de João, o único nome dado como certo é o do senador Humberto Costa (PT). Há pelo menos outros dois nomes fortes, fora Marília, tentando emplacar a segunda vaga.
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Segundo apurou o UOL, a publicação de Marília foi uma resposta à demora de João Campos em sinalizar os nomes que vão compor ao Senado. Procurado pela coluna, João afirmou que não iria comentar o vídeo.
Para Marília e demais postulantes que esperam compor chapa com João, a indefinição atrasa a articulação de candidaturas, já que há diferenças no arco de alianças e investimentos entre disputas ao Senado ou à Câmara.
Um ponto pesou a favor de Marília: ela lidera com folga todos os cenários de disputa para o Senado em Pernambuco, com 36% a 40% das intenções de voto, a depender dos nomes que concorrem, segundo apontou pesquisa Datafolha divulgada em 6 de fevereiro.
O nome dela conta com apoios importantes, como do presidente da Assembleia Legislativa, Álvaro Porto (PSDB). A sua ida para o PDT, um partido maior que o Solidariedade e mais alinhado a Lula, aponta que Marília quer jogar com cartas mais pesadas para ser escolhida como segundo nome na chapa. "Ela irá se filiar e será nossa candidata ao Senado", confirmou Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, ao UOL.
Mas porque, mesmo sendo líder nas pesquisas, fiel aliada do presidente Lula e com apoios importantes no estado, Marília não consegue ter o nome garantido na chapa?
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A questão está na articulação de João com partidos importantes e que são considerados fundamentais para agregar votos, especialmente no interior do estado —justamente onde a governadora Raquel Lyra (PSD) tem mais força.
O principal nome, levando em conta a proximidade com Lula, é do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), que já deixou claro que pretende disputar o cargo. Entretanto, no melhor cenário, ele aparece em terceiro lugar nas pesquisas.
Outro nome que aparecia forte até a semana passada era o do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União), que foi candidato ao governo do estado em 2022 e teve 18,04% dos votos válidos no primeiro turno. Acontece que ele e a família Coelho foram alvo de uma operação da PF, o que "queimou o filme" de Miguel e o deixa com menos chances de compor.
Quem chegou a ser especulado nessa vaga, mas hoje corre muito por fora, é o deputado federal Eduardo da Fonte (PP), presidente da federação União Progressista no estado. Apesar de ter aliados com João Campos, a federação também compõe o governo de Raquel e tem sido cobrado a escolher o lado da governadora para manter os cargos.
Para o cientista político Arthur Leandro, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), a decisão de Marília faz parte de uma estratégia individual de se mover primeiro. "Isso tem a ideia de criar fato consumado", diz.
"A antecipação da pré-candidatura combina personalização da disputa, cálculo de posicionamento e fragilidade de coordenação, pois transforma pesquisa em recurso de poder, eleva o custo de recuo e pressiona a alocação de apenas duas vagas em um campo com múltiplas ambições", afirma.
A demora do campo liderado por João Campos em consolidar um desenho ao Senado sinaliza precisamente esses custos: adiar a arbitragem reduz atrito imediato, mas abre janela para movimentos unilaterais que capturam a agenda pré-eleitoral, elevam o risco de pulverização do segundo voto e podem favorecer o adversário, tornando o Senado não um detalhe tático, mas o teste antecipado de governabilidade e comando da coalizão em Pernambuco.Arthur Leandro, cientista político (UFPE)
Marília e uma história que se repete
Nas últimas duas eleições estaduais, Marília viveu conflitos com seu campo a esquerda. Em 2018, ainda no PT, ela tinha bons números em pesquisas e lançou-se pré-candidata ao governo estadual, com apoios importantes de nomes da esquerda no estado.
Apesar da liderança folgada, parte da direção petista em Pernambuco defendeu manter a aliança local com o PSB e uma coligação com o então governador Paulo Câmara (que foi reeleito naquele ano).
O principal argumento de Marília era que, dois anos antes, o mesmo PSB e a cúpula de Paulo Câmara votaram a favor do impeachment de Dilma Rousseff. Pouco depois, os socialistas disseram que a decisão foi um "erro histórico".
Marília teve a candidatura aprovada pela executiva estadual, mas a executiva nacional do PT barrou como parte de um acordo nacional que deixou o PSB neutro na eleição presidencial —o partido estava ali quase certo para indicar o nome do vice de Ciro Gomes na chapa presidencial.
À época, a decisão foi considerada um golpe por Marília e aliados. Ela chegou a recorrer da decisão, mas não conseguiu revertê-la e acabou disputando (e vencendo) vaga na Câmara.
A sua retirada forçada foi "paga" pelo PT dois anos depois, quando Marília foi indicada para disputar a Prefeitura do Recife e fez uma disputa acirrada contra seu primo João Campos.
A eleição foi marcada por uma forte campanha anti-petista por parte do PSB, o que gerou um grande atrito na base estadual (Paulo Câmara tinha apoio do PT no governo).
As rusgas entre PSB e PT foram curadas, e em 2022 a história foi parecida, apesar do desfecho diferente. Sempre citando que seria candidata ao governo do estado de todo jeito, Marília decidiu se antecipar à falta de espaço dentro PT —que estava alinhado de novo ao PSB— e deixou o partido no começo do ano para se filiar ao Solidariedade.
A decisão de Marília implodiu o campo da esquerda e tirou qualquer chance de eleição de Cabral —que mesmo com apoio pessoal de Lula terminou em quinto lugar com apenas 18,06% dos votos válidos. No caso, a péssima avaliação do governo Paulo Câmara (PSB) foi apontada como determinante para a derrota.
Com a sigla em suas mãos, ela oficializou candidatura ao governo e venceu o primeiro turno, com 23,97% dos votos válidos, mas mesmo com apoio de Lula no segundo turno, acabou derrotada por Raquel Lyra (à época no PSDB).
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