'Domingo no Parque', de Gil, ganha vida como musical negro em São Paulo
O teatro e seus fazedores, por Andre Marcondes
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
benefício do assinante
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
benefício do assinante
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
Musical é livremente inspirado na premiada música de Gilberto Gil - Priscila Prade / Divulgação
Com uma estrutura intrinsecamente cinematográfica, a canção "Domingo no Parque", de Gilberto Gil, sempre carregou em sua narrativa o potencial de um libreto teatral. Foi essa qualidade imagética que, em 1995, despertou no diretor Alexandre Reinecke a vontade de transformá-la em espetáculo.
Trinta anos depois, a obra ganha vida como um vigoroso "musical negro" – conceito que forma toda a sua estética, ética e espiritualidade, com um elenco e equipe compostos por aproximadamente 90% de profissionais negros.
A montagem se situa na Salvador do início dos anos 1970, tecendo sua brasilidade através da culinária, das vestimentas, da religiosidade de matriz africana e, principalmente, da capoeira. Linguagem coreográfica que define relações de poder.
Sob a orientação de Mestre Tyson, a roda de capoeira torna-se o espaço onde os corpos contam a história: a agressividade de João (Guilherme Silva) espelha sua instabilidade, enquanto a malícia de Jozé (Alan Rocha) revela seu desejo de conciliação. A presença dos atores mirins merece destaque à parte, trazendo uma energia genuína e contrastante que humaniza o universo da história.
A trama expande a concisão da canção para explorar lacunas narrativas. Juliana (Rebeca Jamir) não é apenas a "moça da Ribeira", mas uma cantora engajada na resistência à ditadura, o que agrega uma camada política ao drama. O ciúme que desencadeia a........
