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Caso Master respinga na disputa PT x ACM Neto na Bahia

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Caso Master respinga na disputa PT x ACM Neto na Bahia

As novas revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master já começam a produzir em Brasília um clima comparável ao ambiente político e midiático da Operação Lava Jato. Nos bastidores da capital federal, há quem já tenha apelidado a nova sequência de investigações de "Lava Master".

A segunda prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero e a apreensão de diversos telefones celulares dele têm potencial de atingir políticos da esquerda à extrema-direita, passando pelo centrão e até por nomes do Judiciário.Até aqui, porém, o mapa preliminar das suspeitas aponta algo que complica a narrativa construída pela oposição: os nomes mais diretamente associados à blindagem política dos negócios do banco pertencem majoritariamente ao campo da direita, incluindo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ainda assim, isso não significa que o caso deixará de produzir desgaste para o campo progressista.

Em ambientes altamente polarizados, basta a presença de qualquer conexão para que adversários transformem suspeitas em narrativa eleitoral.

Daniela LimaCresce a chance de delação de Vorcaro

Cresce a chance de delação de Vorcaro

Letícia CasadoCom unanimidade ou não, Vorcaro joga sozinho

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Josias de SouzaQuando Vorcaro começará a suar o dedo?

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Milly LacombeGoverno se lambuza na lama do machismo

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O embate público recente entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL) já mostra o tom da disputa. Enquanto a oposição tenta associar o escândalo ao atual governo, o Planalto lembra que as operações investigadas remontam ao período em que o Banco Central era comandado por Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro.

Em outras palavras: cada lado tenta empurrar o problema para o colo do adversário.

A seu favor, o governo Lula (PT) tem o fato de não ter indício de interferência nas investigações da Polícia Federal. O contrário ocorreu no governo anterior, quando foram explícitas atuações do mandatário para impedir que a Polícia Federal chegasse a pessoas próximas dele, inclusive seus próprios filhos, que agora tentam fazer alarde com fatos que tiveram origem na gestão do pai.

O projeto de reeleição de Lula, que já tinha o peso do caso do INSS e um histórico de campanhas difamatórias que associam o partido à corrupção, agora está diante de mais um obstáculo a superar, enfrentando distorções de fatos e fake news de milícias digitais, que invertam as responsabilidades sobre os fatos.

Caso CredCesta na Bahia

O impacto político do caso Master pode ir muito além da eleição presidencial. Na Bahia, onde o governador Jerônimo Rodrigues (PT) tentará a reeleição sob a liderança do presidente Lula, o escândalo já começa a contaminar o debate local.

O estado vive há quase duas décadas sob governos do Partido dos Trabalhadores (cinco mandatos consecutivos) e reproduz, em escala regional, a mesma polarização que domina a política nacional.

O episódio que mais tem repercutido na Bahia envolve o programa de crédito consignado conhecido como Credcesta, ligado ao conglomerado financeiro que orbitava o Banco Master.

Reportagem publicada ontem pelo UOL revelou que a Prefeitura de Salvador garantiu exclusividade para uma linha de crédito rotativo associada ao banco por meio de um decreto de 2021 editado durante o primeiro mandato do prefeito Bruno Reis, aliado político do ex-prefeito ACM Neto e seu vice até 2020. Ambos são do União Brasil.

O decreto reservava parte da margem consignável dos servidores municipais para esse tipo de operação financeira, uma modalidade pouco comum, baseada no uso recorrente do crédito rotativo, que tende a gerar juros mais altos e ampliar o endividamento dos trabalhadores.

Questionada, a Prefeitura de Salvador afirma que o modelo não apresenta irregularidades e seguiu práticas adotadas por outros entes públicos.

Tanto o Credcest quanto o Consiglog operam com exclusividade junto aos servidores do estado da Bahia, na gestão petista. Como mostra a reportagem, a gestão da margem de consignado se tornou um negócio altamente lucrativo com o surgimento da Consiglog, que passou a cobrar uma porcentagem dos descontos em folha, ao invés do modelo tradicional de um valor fixo por linha de desconto.

Devido à interferência do grupo carlista junto ao governo Bolsonaro, a operação do CredCesta, iniciada na Bahia, foi expandida para outros estados, escalando o esquema de superfaturamento do Grupo Master.

Ao mesmo tempo, dados revelados pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) mostram que empresas ligadas ao Banco Master e à gestora Reag realizaram transferências no valor de R$ 3,77 milhões para uma empresa de consultoria de ACM Neto após ele deixar a prefeitura.ACM Neto afirma que os pagamentos se referem a serviços privados de análise dos cenários político e econômico nacional e nega qualquer relação com as irregularidades investigadas.Vai ser complicado para o político -- ex-prefeito de Salvador de 2013 a 2020 e hoje pré-candidato ao governo da Bahia -- manter o tom de bravata que utiliza para apontar possíveis esquemas do atual governo, como se estivesse íntegro nessa questão.

Cesta do Povo foi privatizada na gestão petista

O caso também tangencia o grupo político que governa a Bahia há 16 anos. A origem do Credcesta remonta ao processo de privatização da antiga Cesta do Povo, realizado durante a gestão petista no estado.

Criada em 1979, a Cesta do Povo funcionou por três décadas como uma rede de supermercado estatal da Bahia, vendendo alimentos básicos a preços subsidiados pelo governo até ser privatizada em 2018, por alegada receita deficitária.

Convocados a fortalecer a chapa petista para garantir a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues, que ainda não possui cacife político para enfrentar as urnas sozinho, os ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa viram seus nomes envolvidos no escândalo do Banco Master.

Pré-candidatos ao Senado, ambos estão sendo cobrados a explicações sobre a privatização da Cesta do Povo e da exclusividade dada ao Credcesta nos consignados dos servidores estaduais.

Quem tem defendido o grupo político das acusações é o senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado e ex-governador da Bahia. Wagner era o secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia no governo Rui Costa, atual ministro da Casa Civil, à época do processo de venda da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), que controlava a Cesta do Povo.

O senador tem afirmado à imprensa, com tranquilidade, que a venda foi regular e vantajosa para os cofres públicos, lembrando que a estatal gerava prejuízos.

Segundo ele, o fato de conhecer empresários envolvidos no negócio não significa participação em qualquer irregularidade. O senador também rejeitou a acusação de que teria indicado nomes para cargos no Master, como os ex-ministros de gestões petistas Guido Mantega e Ricardo Lewandowski, que prestaram consultorias milionárias ao banco.

Wagner reconhece que o escândalo pode atingir muitos personagens da política brasileira. Em declarações recentes, afirmou acreditar que novas revelações podem surgir, comprometendo a caminhada eleitoral de adversários, como ACM Neto.

Esse é justamente um ponto central do problema político que começa a se desenhar. Quando um escândalo financeiro desse porte entra no radar da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal, dificilmente permanece restrito ao campo jurídico e criminal.

Ele rapidamente se transforma em narrativa eleitoral. E narrativas eleitorais não costumam respeitar a proporcionalidade das responsabilidades.

Mesmo que as investigações acabem demonstrando maior comprometimento de figuras associadas à direita, a simples presença de nomes ligados ao campo governista já será suficiente para alimentar um ambiente de desconfiança generalizada.

No caso da Bahia, o projeto petista já enfrenta a reprovação aos altos índices de violência no estado, que só pioraram na última década, e o próprio desgaste de uma repetição de uma gestão longa. O governador terá que contar com seus principais líderes, inclusive o presidente, livres de acusações, para poder defender a continuidade do projeto.

Não será a primeira vez que a direita fará uso de narrativas, por vezes sensacionalistas e até fantasiosas, para associar que a corrupção é algo estritamente da esquerda, o que já está semeado no imaginário popular por escândalos como a Lava Jato.

Essa distorção da realidade prejudica diretamente o debate eleitoral e o conhecimento dos fatos pelo eleitor, comprometendo a escolha consciente das urnas.

Já vimos esse filme e o estrago foi terrível.

Se novas revelações continuarem surgindo nos próximos meses, o caso Master e seus desdobramentos, como a história do Credcesta, têm potencial para pautar tanto a disputa presidencial como outras sucessões, a exemplo da Bahia.

Em um cenário de polarização intensa, qualquer sombra de suspeita tende a pesar ainda mais sobre quem já está no poder.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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