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A careca de William: imagem, poder e projeções públicas

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A careca de William: imagem, poder e projeções públicas

Por: Ana Claudia Paixão - via Miscelana

Faltando pouco mais de um mês para completar 44 anos, o príncipe William apareceu na capa da revista Tatler e um detalhe específico funcionou como gatilho imediato para seus detratores. Ao "aliviar" o avanço de sua calvície, a imagem não apenas virou motivo de piada, como também acabou expondo, de forma involuntária, aquilo que muitos insistem em tratar como seu ponto fraco.

Não é a primeira vez que a Tatler escorrega ao retratar a família real. O pintor nigeriano Oluwole Omofemi já havia produzido, para a revista, um retrato da rainha Elizabeth II durante o Jubileu de Platina, em 2022, também recebido com uma mistura de elogios e estranhamento. Ao recorrer a uma estética semelhante para William, a intenção parecia clara: associá-lo visualmente à avó, figura que muitos historiadores apontam como uma de suas maiores referências institucionais, talvez até mais do que Diana ou Charles.

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O efeito, porém, acabou sendo outro. Ao apresentar William com mais cabelo do que ele efetivamente tem hoje, a capa evidenciou exatamente aquilo que parecia tentar suavizar. Manchetes em tom de brincadeira surgiram quase imediatamente, com trocadilhos como "Hair Apparent", "Cured Baldness" ou "Fuller Head", deslocando o foco da imagem de qualquer leitura simbólica mais ampla para um detalhe físico específico.

E é justamente esse desvio que interessa. Porque, diante disso, a pergunta que se impõe não é apenas sobre a capa ou sobre a escolha estética da revista. A pergunta é mais direta e, ao mesmo tempo, mais reveladora: qual é, afinal, o problema da careca do príncipe?

A insistência com a careca de William diz menos sobre ele e mais sobre o tipo de leitura que se faz de figuras públicas que carregam poder simbólico. Não se trata apenas de estética. Trata-se de um deslocamento: quando a crítica não encontra um ponto objetivo de........

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