Consumo massivo e crescente de vídeos curtos desafia Hollywood
O hábito de assistir vídeos mudou radicalmente na última década. Isso começou com a chegada do Youtube, se consolidou com as plataformas de streaming e com a ascensão dos vídeos de formato curto, aqueles conteúdos de poucos segundos ou minutos típicos do TikTok, YouTube Shorts, Instagram Reels e plataformas semelhantes.
Esse fenômeno já provoca impactos profundos em Hollywood e em outros centros produtores de entretenimento ao redor do mundo. Vídeos curtos representam de 82% a 90% do tráfego global de internet até 2025, com 1,6 bilhão de usuários (20% da população mundial).
Usuários do TikTok assistem em média 92 vídeos curtos por dia, e o formato gera 2,5 vezes mais engajamento que vídeos longos. Plataformas como YouTube Shorts acumulam mais de 90 bilhões de visualizações diárias e 2 bilhões de usuários mensais.
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Os jovens de hoje passam mais tempo rolando feeds de vídeos curtos do que assistindo programação tradicional. Pesquisa da Deloitte, de 2024, mostrou que 56% da chamada Geração Z consideram o conteúdo de mídias sociais mais relevante que programas de TV ou filmes.
Mais da metade desses jovens (52%) disse sentir uma conexão pessoal mais forte com criadores de conteúdo das redes do que com estrelas de TV ou cinema. Em outras palavras, muitos adolescentes e jovens adultos se importam mais com os youtubers e tiktokers do momento do que com atores de Hollywood.
No contexto norte-americano, o professor Scott Galloway, da NYU, cita que que 78% dos norte-americanos entre 10 e 24 anos assistem a conteúdo de TV e filmes via YouTube ou TikTok em vez de meios tradicionais.
Esse dado simboliza a inversão na dieta de mídia: plataformas digitais se tornaram a "televisão" dessa geração. Clipes curtos e personalizados, entregues por algoritmos, satisfazem a busca por entretenimento instantâneo e sob demanda.
Não por acaso, o tempo médio diário gasto no TikTok globalmente já ultrapassa 1 hora por usuário, e nos EUA usuários adultos passam quase 2 horas por dia no TikTok em média. E essa mudança de comportamento não ocorre isoladamente nos Estados Unidos.
No Brasil, país famoso pela tradição noveleira e pelos altos índices de TV aberta, os jovens também estão migrando sua atenção. Praticamente todos os brasileiros de 15 a 29 anos (95%) assistem vídeos online regularmente, segundo a pesquisa TIC Domicílios do IBGE (2024).
Mesmo entre crianças essa preferência é evidente: um estudo do Comitê Gestor da Internet no Brasil apontou que 46% dos usuários brasileiros de 9 a 17 anos assistem a vídeos de influenciadores digitais várias vezes ao dia, tornando esse o tipo de conteúdo mais visto nessa faixa, acima até de desenhos animados, séries ou filmes tradicionais. Ou seja, os ídolos das crianças de hoje vêm do YouTube e do TikTok, não mais da programação infantil da TV aberta.
Mais de 92 milhões de brasileiros usam o TikTok ativamente, enquanto YouTube tem 138 milhões de usuários, impulsionados por Shorts. O mercado de apps de vídeos curtos vale cerca de US$ 1,2........
