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Rio Open deve ficar no Jockey mesmo se a ATP aprovar a mudança para quadras duras

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23.02.2026

Rio Open: o Resumão em 26 parágrafos

Ler resumo da notícia

1. A experiência de quem entra no Jockey Club Brasileiro para ver o Rio Open é ótima. Escrevo isso quase que anualmente, e já o fiz mesmo nos anos em que apontei vários problemas na execução do torneio. Dito isto, a experiência do consumidor com o Rio Open começa ao (tentar) adquirir ingressos, e a venda de entradas para o torneio deste ano foi, novamente (negrito múltiplas vezes em "novamente"), um caos. A plataforma da Eventim segue péssima. A cada F5, uma surpresa diferente. Ingressos e mapas de assentos que aparecem e desaparecem sem qualquer padrão. Acontece repetidamente.

2. Em outubro, um mês antes da venda do Rio Open, a Justiça mandou a mesma Eventim indenizar consumidores que não conseguiram comprar ingressos para o Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1. Segundo esta reportagem, os indenizados "enfrentaram falhas no sistema, lentidão e mensagens de erro, mesmo quando o site indicava que os ingressos estavam disponíveis." Não me parece muito diferente do que viveram os fãs de tênis em novembro (e eu, pessoalmente, constatei os problemas). Será que é preciso mais gente acionando a Eventim na Justiça para que, um dia, esse processo de venda de ingressos aconteça de uma maneira menos turbulenta?

3. Houve problema também na pré-venda, o que inclusive levou a XP a enviar um aviso a seus clientes. Na ocasião, a empresa escreveu assim: "dobramos a capacidade de compra de ingressos..."

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Sobre a falha considerável hoje na pré-venda XP do Rio Open: pic.twitter.com/cjb0Pur4uB-- Break Point (@BreakPointBR) November 5, 2025

Sobre a falha considerável hoje na pré-venda XP do Rio Open: pic.twitter.com/cjb0Pur4uB

4. Perguntei sobre a plataforma na coletiva com o diretor do torneio, neste domingo. Lui Carvalho respondeu que não existe intenção de mudar a plataforma. Admitiu que existem "probleminhas de sistema que acabaram gerando esse ruído" (reclamações de usuários) mas destacou que os problemas são causados pela quantidade de acessos. "Foram 200 mil acessos na compra de ingressos do Rio Open ano passado. Acaba que o sistema às vezes não aguenta, e essa percepção de não conseguir comprar porque dá erro na página... As pessoas que conseguiram comprar, elas não entram nas redes sociais para falar 'comprei'. Não estou nos isentando de culpa, mas uma experiência ruim acaba gerando esse barulho maior". Por fim, o executivo disse que "a plataforma não está onde a gente gostaria. É uma questão mais de a gente trabalhar o sistema para ele jogar a nosso favor. Mas se no futuro a gente puder oferecer uma quantidade maior de ingressos - esse é o nosso objetivo, como a gente falou no começo da semana (com o plano de expansão do torneio) - a gente vai potencialmente resolver grande parte desse problema."

5. A edição deste ano ilustra bem como um torneio - qualquer torneio - pode ser refém de condições climáticas. A chuva bagunçou a programação na sexta e no sábado. No domingo, com os jogos começando mais cedo, foi o calor que obrigou o evento a interromper uma das semis de simples e atrasou o resto do dia.

6. Se alguém não sabia ou não entendia por que o Rio Open deixou de realizar partidas mais cedo, começando às 11h (como acontece na maioria dos torneios europeus), o episódio de domingo, com Etcheverry x Kopriva suspenso pelo calor, ilustrou bem as dimensões do dilema.

7. A organização do torneio não vê as coisas necessariamente assim, mas acredito que o clima ainda é um dos fatores que atrapalham na hora de atrair grandes nomes para o Rio Open. Sempre lembro de uma resposta de Marat Safin, que foi indagado sobre os porquês de nunca ter disputado o antigo Brasil Open na Costa do Sauípe (também no saibro, em fevereiro). O russo afirmou que podia ficar na Europa disputando o mesmo número de pontos e jogando em quadra dura indoor, com temperatura controlada e partidas mais curtas. Muito mais simples do que fazer uma viagem longa para jogar no calor, no nível do mar, em condições lentas e contra saibristas de ofício como Guga, Meligeni, Coria, Gaudio e tantos outros.

8. Além de tudo isso, o Rio Open deste ano ainda teve azar com a lesão de Lorenzo Musetti, sofrida no Australian Open, e o problema de saúde de Gael Monfils, que desistiu de vir até a América do Sul. Thiago Wild, que seria o segundo maior nome do país, também se lesionou. Outros quatro tenistas já estavam no Rio quando abandonaram: Laslo Djere (tíbia esquerda), Lorenzo Sonego (punho), Alexandre Muller (lesão muscular) e Carlos Taberner (dores abdominais). Para piorar, Francisco Cerúndolo, o cabeça 1, abandonou sua partida de oitavas de final.

9. Fran Cerúndolo merece uma menção à parte aqui porque saiu reclamando, dizendo que tinha pedido para jogar as oitavas na quinta-feira (jogou na quarta), mas que não foi atendido e deu a entender que o torneio privilegia Fonseca. Num movimento raro (o Rio Open prioriza ao máximo manter boas relações com tenistas), a organização soltou uma nota desmentindo a frase de Cerúndolo e afirmando que não foi feito pedido algum.

10. Berrettini saiu do Rio quase que traumatizado com os demorados rain delays que teve de enfrentar em 2022. Lembrou disto em sua primeira coletiva este ano. Quando houve o primeiro rain delay este ano, brincou com os jornalistas, dizendo que "a chuva não quer que eu jogue aqui". No fim, acabou eliminado em uma partida com múltiplas interrupções provocadas por pingos.

11. Ignacio Buse, que vinha de duas grandes apresentações e vitórias sobre Fonseca e Berrettini, "fritou" sob o sol do domingo. Deixa bem claro o quão complexo é vencer o Rio Open. O torneio exige saber jogar bem no saibro e no nível do mar, mas também é preciso saber lidar com altas temperaturas, rain delays e mudanças drásticas nas condições de jogo.

12. Trazer Andre Agassi para o evento foi uma escolha certíssima dos organizadores. Não só pelo status que uma figura de seu porte traz ao torneio e ao continente, mas porque o americano analisa pessoas e cenários de maneira abrangente, enxergando além da maioria. E Agassi fez observações sobre João Fonseca que muitos por aí ainda precisam absorver.

13. Sobre a visita do chefão da ATP, Andrea Gaudenzi, a organização do Rio Open diz que não havia o objetivo de que o italiano saísse da cidade com algum acordo fechado. A ideia era mostrar o torneio, a cidade e o potencial do tênis no continente. Gaudenzi conversou com a diretoria da IMM e com os principais patrocinadores do torneio. Lui Carvalho espera que todas informações absorvidas aqui pelo italiano sirvam para que ele, em futuras reuniões de Board, veja o Rio Open com uma perspectiva diferente - e mais bem informada.

14. No que diz respeito ao que aconteceu dentro de quadra, não dá para criticar muito os brasileiros que perderam na primeira rodada (Thiago Monteiro, Igor Marcondes, Guto Miguel, Gustavo Heide e João Reis). Um ATP 500 é um torneio acima do nível que todos vêm mostrando no circuito. Ainda assim, todos eles fizeram apresentações bem dignas. Ficou claro, contudo, que é preciso uma consistência maior para fazer mais neste nível de evento - embora tenha sido uma chave fraca comparada com a dos demais ATPs 500 do calendário.

15. João Fonseca fez uma boa apresentação na estreia, diante de Monteiro, mas deixou muito a desejar - tanto tática quanto tecnicamente - nas oitavas de final, diante de Ignacio Buse. Saiu de quadra abatido. Pode ser só minha impressão, mas fiquei com a sensação de que o carioca de 19 anos deixou a Quadra Guga Kuerten sentido que havia decepcionado a torcida.

16. Nas duplas, a história foi bem diferente. Com um veterano a seu lado e alguém com quem dividir a responsabilidade (ou pressão), Fonseca esteve mais solto, vibrou mais, jogou mais com a torcida. Fez a diferença do fundo de quadra (nenhum duplista nesta chave tinha bola para contê-lo da linha de base) e foi decisivo na final, sendo responsável pela maioria dos pontos importantes no match tie-break contra Frantzen e Haase.

17. Ainda sobre a parceria de João e Marcelo, foi bonito ver o respeito e admiração mútua durante a semana. Também foi emocionante acompanhar os discursos de premiação, com o mineiro lembrando de seu pai (que morreu um dia depois do título do Rio Open do ano passado) e o carioca agradecendo pelo profissionalismo de seu fisioterapeuta, que perdeu a mãe há poucos dias.

18. Na coletiva, Marcelo ainda lembrou da famosa frase de Billie Jean King ("pressão é privilégio"), destacando para Fonseca que se ele enfrenta pressão é porque as pessoas acreditam que o carioca é capaz de coisas grandes. Está certíssimo o mineiro.

19. Voltando às simples, Ignacio Buse é um tenista interessante não só pelo que faz dentro de quadra - com uma ótima direita - mas pelo que fala e por sua postura tranquila nos bons e maus momentos. Tem 21 anos, mas cara de muito menos. Parece ter saído de um episódio da primeira temporada de Stranger Things. Sucumbiu no domingo escaldante carioca, mas pode fazer coisas importantes no circuito em breve. Vale acompanhar.

20. Não havia um top 50 sequer nas semifinais - o que nenhum torneio gosta - mas o título de Etcheverry (#51) foi especial por mais de um motivo. Primeiro porque o argentino já somava três finais de ATP perdidas e colocava sobre si mesmo uma grande pressão para finalmente levantar um troféu. Além disso, por conta da rodada dupla, Etcheverry precisou de um esforço hercúleo para bater Kopriva (no jogo mais longo da história do torneio, com 3h57min) e, depois, Tabilo. Ambos em três sets.

21. Ao longo da semana, tive duas conversas interessantes. Uma dela com Santos Dumont, treinador de Guto Miguel, que vive um momento especial na carreira. O outro, com Renato Preter, head de live marketing da XP, que falou sobre a relação da empresa com João Fonseca e, claro, o tênis em geral. Publicarei ambas entrevistas em breve.

22. Também estive em uma mesa redonda com Andre Agassi. Além da coletiva, o americano falou sobre sua relação atual com o tênis; contou sobre o processo de seu documentário, que vem sendo produzido pela Apple; deu recados importantes sobre João Fonseca; e falou sobre saúde mental e a relação de atletas com a imprensa e as redes sociais. Também estará logo, logo, no Saque e Voleio.

23. Visitei vários estandes de patrocinadores do Rio Open, e o Leblon Boulevard continua sendo um espaço interessantíssimo. Tirando uma experiência ruim na Claro (já contei no Instagram durante a semana), gostei muito do que vi e experimentei.

24. Também visitei a EQI Match Point Mansion, um espaço lindíssimo no Joá com ativações de marcas que não são patrocinadoras oficiais do Rio Open. Participei de uma clínica onde pude experimentar a Auxetic 2.0 Radical da Head, calcei o novo e delicioso Solution Speed 4, da Asics. Música boa, drinks interessantes, muito tênis, caronas da BMW e um cenário espetacular. Não dá para pedir muito mais.

25. A coletiva final de Lui Carvalho não trouxe a confirmação dos planos de expansão do Rio Open, mas as conversas estão bem encaminhadas. Conversei com diversos sócios do Jockey durante o torneio, e quase todos me disseram o mesmo: o clube tem muito a ganhar com a mudança das quadras.

26. Sim, o torneio deve ficar no Jockey mesmo se a ATP aprovar a mudança para quadras duras.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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