Pedro Proença está no lodo ou ‘é’ o lodo?
1.Interessa, pois claro, saber como é que uma parte editada de uma reunião havida, há cerca de 2 anos, entre o então candidato à presidência da FPF, Pedro Proença, e responsáveis do Benfica veio agora para a praça pública e quem esteve por detrás da iniciativa de a querer ver estampada em todo o lado. Sem a desprezar, torna-se evidente que há uma intenção no timing mas não é esse o ponto mais importante. O aspeto mais importante esbarra no conteúdo. A três níveis: a) A forma como o ex-árbitro e o ex-presidente da Liga olhava para a classe da arbitragem; b) O modo como o então candidato à presidência da Liga se dirigiu ao então presidente da AG do Benfica, Fernando Seara, na presença de Rui Costa e do seu chefe de gabinete Nuno Costa; c) A via escolhida por Pedro Proença para ameaçar Seara e o Benfica, dando a ideia, direta e indiretamente, que o clube da Luz devia era estar mas é muito bem caladinho porque, nas muitas vezes em que foi visitado pela Polícia Judiciária, a Comissão de Instrutores da Liga não fez – deu a entender – o que devia, supostamente pela magna influência do ‘rei sol’ perante os seus… atrelados.
2.Tudo isto prova o lodo em se movimenta o futebol português. Esta semana, de resto, assistimos à consagração daquilo que é a falta de noção, no futebol e na política, da exigência ética que certos cargos exigem.
Sem querer liminarmente comparar: vimos com Luís Neves, até há bem pouco tempo intocável e inexpugnável como diretor nacional da PJ e agora nulificado como ministro. (Nunca se deve confundir aquilo que é, em tese, e deveria ser na prática, a projeção da imagem da entidade que pugna pelo máximo escrutínio com a atividade política e partidária).
E vimos com Pedro Proença.
E, no caso de Proença, e como já escrevi aqui, não é bom que quem escrutina o jogo no campo passe para a atividade da gestão do futebol profissional e depois para o órgão máximo que tutela o futebol português no seu todo.
Vimos com Neves e Proença mas com uma pequena grande diferença: é que no caso do ministro da administração interna os partidos da oposição – uns mais do que outros – fazem o seu trabalho e exercem o contra-poder, como se viu, acima de tudo, com André Ventura e com Mariana Leitão (IL). No caso de Pedro Proença, e no âmbito daquilo que se ouviu no áudio........
