Estamos mesmo no tempo das vindimas: na política e no futebol
1.A política e o futebol cruzam-se diariamente e nas suas convenientes mas perigosas intersecções. O chamado ‘caso Luís Neves’ e o mercado das transferências no universo da bola indígena dominaram nos últimos tempos o espaço mediático e entre a força do poder, a fraqueza do outro lado do poder e a escassa comunidade que consegue ser equidistante do partidarismo e do clubismo, num país pequeno que só às vezes faz de conta que se indigna contra a (des)proteção de uns em detrimento de outros, acima de questões integridade institucional que deveriam regular a ação dos órgãos de soberania e dos próprios cidadãos.
2.O futebol sempre serviu para entreter e dar uma espécie de pausa aos políticos, que sempre o olharam não apenas como uma coisa menor (basta ver o papel do Desporto nos programas dos partidos, em tempos de eleições) mas também como uma forma de se mostrarem, à margem das dialéticas e dos confrontos parlamentares, até ao momento em que se sentam à mesa para partir a pedra da sopa ou limpar o suor da lagosta que não se importa de correr para ficar suada mas ao mesmo tempo em condições de consagrar os jejuns intermitentes; todavia, as coisas têm vindo a piorar em Portugal, porque mesmo que a efervescência dos escândalos possa durar mais tempo do que a média nacional que lhe estava contabilizada, há a convicção de que o poder que elimina os mais fracos acabará por vencer, nem que seja pelo cansaço ou, nos casos mais atuais, pelo medo das consequências num quadro de demissões forçadas.
3. Deixem-me meter a chuteira em seara alheia para dizer que, no ‘caso Luís Neves’, o que falhou foi a incapacidade do ex-diretor nacional da PJ em reconhecer ab initio os erros correspondentes aos aligeiramentos que são uma modalidade olímpica nacional, aquela coisa de se achar que, pelo prestígio associado ao exercício de um cargo de poder, não vem mal ao mundo se se, num ambiente de aparente boa convivência, arranjar soluções úteis para........
