Macrocefalia
Portugal é um país centralista e macrocéfalo, duas realidades que se confundem embora não sejam a mesma coisa. Se o centralismo corresponde à arquitetura do Estado, a macrocefalia traduz a arquitetura do país.
O centralismo combate-se transferindo poderes. A macrocefalia, porém, permanecerá intacta se a concentração do poder político, económico, cultural e mediático moldar a forma como o país se vê a si próprio. Podemos transferir competências e continuar a viver num país onde as decisões, as oportunidades, a informação e os critérios de reconhecimento permanecem concentrados na capital. É aí que estão, além do poder político e da generalidade dos organismos centrais, as sedes das principais empresas, os meios de comunicação social, as agências de comunicação e publicidade, uma parte significativa da produção cultural estatal e, inevitavelmente, as redes onde circulam informação, influência e oportunidades. É na capital que se decide, se comenta o que foi decidido e se explica ao resto do país o que sucede. A concentração alimenta-se a si........
