A santa aliança
Durante muito tempo, o centro político europeu pôde contar com uma convicção partilhada: apesar das crises, os filhos viveriam melhor do que os pais. Havia diferenças entre a direita e a esquerda democráticas, discutiam-se impostos, salários e serviços públicos, mas havia esse horizonte comum. A diferença residia na rota a seguir. Hoje, basta ouvir uma conversa de família sobre o preço de uma casa para perceber o que aconteceu a essa confiança.Quem trabalha e paga impostos começa a perguntar para onde vai o dinheiro. O Estado custa mais, acumula organismos e exigências, mas falta um médico, uma decisão demora anos e uma licença parece depender de uma prova de resistência. Defender o Estado social não pode obrigar-nos a defender tudo o que se foi instalando à sua sombra. Até porque são os que mais precisam dele os primeiros a sofrer com o seu mau funcionamento.A classe média vai pagando a conta. Ganha demasiado para receber apoios e demasiado pouco para comprar casa. Continua a sustentar os filhos em idades em que já esperava vê-los independentes, receia pelo valor da reforma e percebe que uma doença ou a perda de um emprego podem desfazer a segurança........
