Delegamos a vida ao algoritmo?
Há uma frase nova a circular com a naturalidade de quem sempre existiu: «O Chat disse que…». Não é uma opinião, é uma citação que nos liberta da responsabilidade de pensar e de sustentar a ideia sem muletas. A autoridade saiu do professor, do médico ou do jornal e foi parar ao nosso bolso, junto às chaves e ao talão de estacionamento.
Segundo o Eurostat, cerca de um terço das pessoas na União Europeia, entre os 16 e os 74 anos, usou, em 2025, ferramentas de inteligência artificial generativa. E isso nota-se no quotidiano. Passámos a entregar ao chatbot pequenas tarefas que eram, até ontem, da nossa responsabilidade. Ele redige a mensagem ‘perfeita’ para a app de encontros, faz a versão mais diplomática para responder aos pais e ainda sugere o que vestir, com a serenidade de quem não tem a mãe a perguntar ‘vais assim?’.
O chat de IA deixou de ser uma ferramenta e é, agora, um árbitro. E isto acontece porque pensar e decidir dão trabalho. Decidir é escolher e, como tal, arriscar........
