A Hierarquia da indignação
Há uma hierarquia no caos. O mundo, como um gigantesco reality show da desgraça, tem as suas tragédia da moda, que monopolizam as luzes da ribalta e a nossa limitada capacidade de indignação. Enquanto isso, longe das câmaras e dos editoriais inflamados, decorre um festival permanente de conflitos ‘marca branca’, não tidos como ideologicamente nítidos ou geopoliticamente úteis para os nossos debates de café. São as guerras esquecidas. Não por serem pequenas, mas por serem persistentes. E a tragédia, quando dura demasiado tempo, perde a capacidade de chocar e torna-se ‘contexto’, que é a forma educada de dizer que já não cabe no nosso algoritmo.
Enquanto um grande conflito – com o seu cortejo de especialistas de gravata, mapas interativos e a espantosa clareza entre ‘os bons’ e ‘os maus’ – ocupa ecrãs e mentes, uma série de outros incêndios arde em lume brando. Ardem no Sudão, onde a OMS........
