A vitória da mentira
Pela primeira vez em duas décadas, o Palácio de Belém volta a ter como inquilino um socialista e logo numa época em que dois terços dos portugueses votam à direita!
António José Seguro deve a sua eleição a dois principais elementos, a sorte e a mentira.
Sorte, porque ao contrário do que foi regra durante praticamente todas as eleições presidenciais, não teve que disputar o sufrágio com nenhum outro candidato da sua área política.
Além de mais, beneficiou do facto de a extrema-esquerda estar hoje reduzida à sua máxima insignificância, sem praticamente nenhum peso eleitoral, razão pela qual não lhe fez sombra na hora da decisão eleitoral.
Sorte também, atendendo a que o espaço à sua direita, contrariando o que até então tinha sido prática, se apresentou fragmentado, com várias candidaturas, mas sem que de nenhuma delas sobressaísse um candidato suficientemente carismático e de méritos reconhecidos que conseguisse congregar à sua volta uma avalanche de apoio suficientemente ganhadora.
E foi graças a este factor sorte que chegou à segunda volta e tendo como oponente o único adversário que conseguiu reunir, nas urnas, a totalidade da base de apoio do partido que o sustenta, mas igualmente o único que não está ainda em condições de atrair para o seu campo votantes provenientes de outras formações partidárias, que não a sua.
E é aqui que entra o segundo elemento que esteve na base da vitória de Seguro, a mentira!
Criou-se a narrativa de que uma eventual vitória de André Ventura colocaria em perigo a democracia e em causa as liberdades individuais, deixando-se passar a ideia de que esse hipotético cenário mais não seria do que o regresso a um passado extinto com o derrube do Estado Novo.
Semanas a fio, a imprensa, escrita e falada, socorrendo-se dos habituais comentadores fiéis ao regime, de políticos no activo e retirados, de economistas e de gestores pendurados nas benesses do Estado, e de toda uma série de gente conhecida dos vários........
