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O mar, ativo estratégico em Cascais

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19.04.2026

É comum dizer-se que o mar sempre foi e continua a ser o maior ativo para o desenvolvimento de Portugal. Naturalmente, esta é uma ideia que está impressa no nosso ADN histórico, com a qual ainda hoje os cidadãos portugueses se identificam.

Em muitos municípios do nosso país, os oceanos desempenharam um papel fulcral para o crescimento a nível regional e nacional. Como nos mostra a História, Cascais foi um desses locais pioneiros onde o horizonte marítimo serviu de plataforma para o desenvolvimento socioeconómico e político das nossas populações e para tornar Portugal na Primeira Aldeia Global do mundo.

Devido ao contexto geopolítico atual, com o novo bloqueio do Estreito de Ormuz pelas forças norte-americanas, notamos, porém, que hoje o mar só é um ativo útil se houver cooperação com os países que o partilham entre si. Mas como não podemos depender apenas dos que nos rodeiam, esta aposta no espaço marítimo pode começar a ser feita com a adoção de medidas de proteção da orla costeira e da biodiversidade marinha.

Ora, estas são duas causas pelas quais Cascais se tem batido. A gestão dos recursos hídricos no concelho tem sido um ponto focal da nossa ação, especialmente atendendo a eventos climatéricos extremos e a fenómenos inesperados como a subida do nível médio das águas do mar. Por esse motivo, delineámos, há mais de uma década, o Plano Estratégico de Cascais face às Alterações Climáticas, para mapear riscos e desenhar soluções que surtiram efeito no comboio de tempestades que nos assolou ao longo do inverno. 

Além da limpeza das praias e dos mares, previstas neste Plano, Cascais também começou a monitorizar a sua costa em tempo real, através de um Digital Twin, um mecanismo que usa sensores e inteligência artificial para identificar as áreas de intervenção prioritária em caso de ocorrências marítimas. Assim, podemos ver agora uma resposta mais rápida e eficaz das autoridades locais a estes fenómenos.

Mas proteger os nossos mares também é proteger a sua biodiversidade, procurando um equilíbrio entre a atividade humana marítima e a vida marinha. Por isso, no futuro, pretendemos criar uma Área Marinha Protegida para estudar e salvaguardar habitats naturais, em conjunto com as Câmaras Municipais de Sintra e Mafra. E também não esquecemos quem faz do mar a sua vida. Em Cascais, a identidade da nossa vila e do nosso concelho depende dos pescadores, cuja proteção é responsabilidade do Município. Para lhes dar mais e melhores condições de trabalho, em 2023 procedemos à remodelação total da Lota de Cascais e à requalificação do equipamento no Cais de Aprestos – um empreendimento de enorme sucesso, cujos resultados estão hoje a ser revelados.

A aposta no mar como ativo estratégico em Portugal não é apenas um exercício de nostalgia face ao passado ou uma miragem inalcançável do futuro. No presente, os nossos oceanos, a nossa orla costeira, a sua biodiversidade marítima e as pessoas que nela encontram o seu sustento são as prioridades que nos cabe avançar e proteger. Em Cascais, esse trabalho já está a ser feito; e da costa algarvia à costa de Prata, são muitos os municípios que também o podem fazer.

Presidente da Câmara Municipal de Cascais


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