SNS: Reformar com responsabilidade, preservar com visão
Ao longo das últimas décadas, uma constelação heterogénea de influenciadores e especialistas de ocasião, tem insistido, quase em cadência ritual, na depreciação do Serviço Nacional de Saúde. Dir-se-ia confirmar-se, também aqui, o traço melancólico do espírito português que Eça de Queirós, com a sua ironia mordaz, tão bem identificou: essa propensão para o desencanto e para o lamento, tantas vezes mais fértil do que o reconhecimento do mérito. Mas a questão que verdadeiramente se impõe ultrapassa o plano do pessimismo cultural. Importa perguntar: que estratégia de comunicação produziria melhor efeito do que esta persistente erosão discursiva do setor público, favorecendo, por contraste, o prestígio de interesses concorrenciais? As críticas são legítimas - e indispensáveis, num sistema que deve viver sob escrutínio -, mas não raras vezes são instrumentalizadas por agendas ideológicas,........
