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Entre paz e dissuasão. A Europa como ator global

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04.03.2026

A guerra na Ucrânia e a crescente assertividade da Rússia reacenderam debates sobre segurança europeia. A corrida ao armamento, a autonomia estratégica e o reforço da NATO são respostas que tentam equilibrar dois imperativos: proteger a população e evitar escaladas que possam transformar crises regionais em conflitos globais.

A política de dissuasão é central neste equilíbrio. Países europeus aumentam investimentos militares, modernizam forças e articulam estratégias conjuntas para que qualquer ataque potencial seja percebido como arriscado. A Europa não pode depender exclusivamente de aliados externos: autonomia estratégica deixou de ser apenas uma ideia; é uma necessidade prática.

Ao mesmo tempo, a diplomacia mantém-se indispensável. A negociação, sanções económicas e canais de diálogo continuam a ser instrumentos para evitar confrontos diretos. A política externa europeia precisa de combinar poder militar e capacidade diplomática, sem perder de vista os valores que a União Europeia representa: democracia, direitos humanos e estabilidade regional.

Portugal, embora geograficamente periférico, está inserido neste contexto estratégico. Participa em operações europeias, contribui para capacidades conjuntas e beneficia de segurança coletiva. Mas também depende da clareza estratégica europeia: a falta de coesão compromete credibilidade e eficácia.

O desafio europeu é, portanto, complexo: é preciso criar capacidade de decisão autónoma e simultaneamente manter alianças, gerir tensões internas e garantir que a paz não é apenas um slogan, mas uma política sustentável. A experiência do Ártico, a reação à Rússia e a atenção à juventude europeia mostram que segurança, pertença e narrativa caminham juntas.

No fundo, a Europa precisa responder a duas perguntas simultâneas: 

Como reforçar a dissuasão sem provocar conflitos desnecessários?

Como construir uma comunidade política que mobilize cidadãos, incluindo os jovens, para proteger valores e territórios comuns?

A resposta não é simples, mas é urgente. Entre paz e dissuasão, a Europa define hoje o seu papel como actor global: não apenas pelo que tem em armas, mas pelo que consegue convencer os seus cidadãos e parceiros internacionais a apoiar e defender.

Neste século, a segurança europeia já não é apenas uma questão de fronteiras ou tratados: é uma questão de identidade, narrativa e capacidade de agir com determinação e responsabilidade.


© SOL