Conquistar as Novas Gerações para a Saúde
A crise instalada no sistema de saúde português é multifatorial e resultou, agudamente, da insatisfação, da escassez e da má distribuição dos profissionais. É, na essência, uma crise de pessoal: médicos, técnicos e enfermeiros - todos eles a mais-valia do sistema de saúde. A falta de pessoal no SNS deve-se sobretudo a assimetrias de distribuição: há mais médicos no litoral e, tendencialmente, menos no SNS. O duplo emprego (52% do pessoal médico trabalha em paralelo no SNS e no setor privado), a opção pela privada e a imigração contribuem para a rarefação de pessoal no SNS, hoje a níveis entre os mais baixos na Europa. Em número absoluto, talvez sobrestimado, os médicos seriam suficientes, mas faltam-nos, flagrantemente, enfermeiros. O rácio entre médicos e enfermeiros em Portugal é de 1:1,3, na OCDE 1:2,5 e de 1:4 nos países europeus mais desenvolvidos. A montante, o número de recém-licenciados médicos situa-se, até, acima da média na OCDE, enquanto o número de formandos em enfermagem se acha muito abaixo e com a vocação em decréscimo. Cabe ao governo e às organizações profissionais consertarem entre si as soluções para esta crise que........
