Histórias em troca de boleias
Despedimo-nos do Miguel Peixe numa pequena capela de telhado inclinado, muito perto da bomba de gasolina onde tantas vezes eu o deixei ao final de um dia de trabalho. O padre falou sobre a existência de coisas que não conseguimos ver nem agarrar; afirmou que esta vida é apenas uma passagem; e que a morte não é o fim, mas o início da verdadeira vida. No final, uma senhora leu no seu telemóvel a oração de Santo Agostinho. Começa assim: «A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do Caminho».
Tínhamos falado ao telefone na véspera de Natal, liguei-lhe para saber como estava e para desejar Boas Festas. Antes, em novembro, visitara-o no hospital São Francisco Xavier, onde me disse que estava a ser muito bem cuidado. Cheguei por volta das quatro da tarde, encontrei-o sentado em cima da cama, com as pernas cruzadas. Quando comentei que era «uma postura muito zen», explicou-me que tinha mudado de posição por causa das dores. Conversámos durante um bom bocado, ele estava preocupado mas tentava........
