Serviço Nacional de Saúde e cidadãos dos PALOP: uma solidariedade silenciosa que nos devia orgulhar
Há, no Serviço Nacional de Saúde, uma dimensão de que pouco se fala e que contraria a narrativa sombria, autoflageladora e, por vezes, mal intencionada sobre o suposto racismo estrutural dos portugueses e das instituições. É uma realidade discreta, pouco mediatizada, mas que todos os dias se concretiza em corredores, blocos operatórios e consultas de alta diferenciação: a forma como Portugal trata, com recursos próprios, milhares de doentes oriundos dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).
Para além dos emigrantes que aqui vivem – com ou sem situação legal regularizada - há cidadãos que todos os anos, são tratados nos hospitais públicos portugueses.
Chegam em situação de fragilidade extrema, muitas vezes depois de percursos clínicos longos e frustrados nos seus países de origem, onde não existem meios técnicos, especialistas ou equipamentos para lhes responder.
Entre 2021 e 2024, foram tratados nos hospitais do SNS 5 939 doentes, ao abrigo de acordos de cooperação que permitem a evacuação sempre que o tratamento necessário não existe no sistema de saúde do país de origem. Estamos a falar, de doentes a serem acompanhados em consultas altamente diferenciadas, sujeitos a cirurgias complexas, a tratamentos oncológicos avançados ou a seguimentos prolongados em áreas de elevada especialização.
Por detrás de cada número há um rosto, uma família, uma história de medo e de esperança.
Esta solidariedade tem um preço muito concreto. Entre 2021 e 2024, o Ministério da Saúde gastou mais de 20 milhões de euros apenas o........
