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Ulisses, ‘o que muito sofreu’

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09.08.2026

Não é só a astúcia que conta. É também o que se faz com o potencial e o que se relativiza. Dom ou dádiva dos deuses, a astúcia eleva-se acima das beligerâncias humanas. Portanto, nem todos os fins justificam os meios e vice-versa. Em Homero, implica a honra e o respeito, incompatível com a dissimulação. O cavalo de Troia revela o custo de pôr a astúcia em prática sem questionar o meio e os fins. Na Ilíada, os supostos vencidos falseiam a honra com um dos ‘mil artifícios’ de Ulisses, fingindo homenagear os vencedores com a oferenda de uma figura divinizada. Os troianos, ‘domadores de cavalos’, supostos vencedores, não a queimam porque os inimigos aqueus respeitariam um compromisso divino. A violação destas condições – ética e honra – solta a desgraça sobre os helenos de Tessália, tomados pela cólera de Aquiles, pela soberba de Agamémnon, disfarçada pela fúria de Menelau, que vira a bela mulher Helena ser levada para Troia com conivência divina. É o ocaso de uma era. Depois de vencerem Troia, a terra........

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