É o progresso, estúpido
Com o mais recente Concerto de Ano Novo da Filarmónica de Viena, dirigido pelo maestro canadiano Yannick Nézet-Séguin, afirmam-se duas eras na história deste célebre evento anual, realizado na Sala Dourada do Musikverein: a que precede e a que se segue à sua estreia na direção do concerto. Quem pensar que aquela orquestra quase dispensa maestro, tal é a sua excelência, engana-se: alguém com a estatura artística de Nézet-Séguin consegue elevá-la a patamares ainda mais altos. Em 2017, tive oportunidade de o ver ao vivo a dirigir West Side Story, de Leonard Bernstein – à frente da Orquestra de Filadélfia, da qual é diretor musical, tal como da Metropolitan Opera de Nova Iorque –, e impressionou-me desde logo o raro equilíbrio de rigor e espontaneidade com que conduzia o seu ‘exército’ musical.
O programa deste ano distinguiu-se pela inclusão de duas obras de autoria feminina: Canções das Sereias, uma polca-mazurca de Josephine Weinlich – compositora austríaca que viria a falecer, em Lisboa, em 1887 –, e Valsa Arco-Íris (1939), da afroamericana Florence Price. Em mais de 80 anos de existência, só em 2025 estes concertos........
