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O enigma Paulo Portas

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26.08.2026

Podemos dizer que o sucesso pessoal e pragmático de Paulo Portas foi paralelo ao fracasso daquilo que ele podia ter sido, politicamente. Teve nas mãos a possibilidade de desempenhar um papel único na construção de uma direita verdadeiramente nova: cosmopolita, culta, altamente preparada, conservadora e liberal, moderna e europeia, ao nível do melhor que sucedeu, e que ainda pode acontecer, no espaço europeu. Refiro-me não ao conservadorismo anquilosado, próximo de um certo reacionarismo e passadismo, nem a um liberalismo de cariz socialista e progressista, mas a um novo conservadorismo e a um genuíno liberalismo. O CDS reunia, sobretudo entre os mais jovens, algumas das pessoas mais capacitadas nas suas áreas, com uma visão verdadeiramente democrática e evoluída. Mas esse projeto fracassou brutalmente, e esse fracasso coincide, de forma quase simétrica, com o sucesso pessoal de Portas e dos seus homens de confiança na política, medido em cargos e poder efetivo.

Antes de Ventura, sendo ambos figuras políticas e ideologicamente distintas, Portas foi a figura central da direita portuguesa. O que distingue Ventura é o seu carisma e a facilidade com que capta a reatividade deste tempo e o aproveitamento de um grande descontentamento antissistema. Parecia ter, pelo contrário, um projeto ideológico consistente e verdadeiramente transformador, de acordo com as melhores práticas conservadoras e liberais modernas.

Esse projeto tinha raízes anteriores ao próprio CDS. Rui Albuquerque, numa análise, que aliás me conduziu a este texto, sobre uma futura candidatura presidencial de Portas, escreve que este foi, ainda muito jovem, a figura central da direita portuguesa, distinguindo-se pelos artigos corajosos que publicou no jornal Tempo, dirigido por Nuno Rocha. Esse jornal notabilizou-se pela oposição que moveu à........

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