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O Chega para além do pseudofascismo da direita verdadeira

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30.06.2026

A votação da legislação sobre mudanças laborais, contra a qual o Chega votou, levou a uma reação de certos setores políticos que aproveitaram o momento para designar que, afinal, o partido que se diz o representante da direita seria de esquerda. O jornal O Diabo apresentou uma capa vermelha com André Ventura retratado como Che Guevara, "André Cheguevara", acompanhada da seguinte frase: "Chumbo do pacote laboral deixa direita dividida".

Curiosa esta página, principalmente o que está escrito no fim e que não é factual: "direita dividida". Não há direita dividida, uma vez que o PSD não se enquadra na direita tradicional e a IL assume uma matriz puramente liberal. Por sua vez, o CDS é hoje um partido residual que vive apenas pela sua ligação de sobrevivência ao PSD, sem a qual estaria reduzido a uma expressão simbólica, e os nichos de direita extrema e radical apresentam muitas diferenças em relação ao partido Chega. Refira-se que os principais líderes do PSD e da IL sempre referiram que os seus partidos não são de direita.

O partido assume-se como de direita, uma direita antissistema que pretendia, inclusive, refundar o sistema político português inaugurando uma nova república, uma ideia que, entretanto, tendeu a desaparecer do seu discurso. O Chega exibe um discurso que enfatiza o nacionalismo, o foco na "lei e ordem" e um ceticismo radical em relação a certas políticas de imigração e minorias. Ao contrário da direita liberal, que defende de forma estrita a redução do Estado, o Chega tem demonstrado uma enorme flexibilidade na economia. Embora defenda formalmente a redução de impostos, o partido assume frequentemente posições intervencionistas ou assistencialistas em setores como as pensões ou os apoios sociais, o que gera debates acesos sobre a coerência do seu alinhamento económico com a direita clássica. Esta volatilidade económica não é um mero acaso ideológico, mas sim uma estratégia deliberada de captura de eleitorado, amplamente partilhada pelo populismo de direita europeu. Este fenómeno não é exclusivo do caso português. O Rassemblement National, sob Marine Le Pen, seguiu uma trajetória semelhante de "normalização" económica, abandonando posições mais ortodoxas de direita económica em favor de um protecionismo social que protege pensões e serviços públicos, enquanto mantém uma retórica de rutura com o "sistema" e as elites de Bruxelas e Paris. Também a Lega de Matteo Salvini, ao transitar de um regionalismo do Norte económico e liberal para um nacionalismo de cariz mais assistencialista e........

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