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Fisco de primeiro mundo, país de terceiro

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21.07.2026

Em Portugal, há uma regra que nunca falha: quando é preciso apertar o cidadão, o Estado funciona de modo exemplar e com uma precisão cirúrgica. Quando é preciso proteger o cidadão, falha sistematicamente, como se constata nas cheias, nos fogos ou nas mudanças na avaliação dos alunos. Mas o IRS automático não atrasa, o e-fatura não falha e a cobrança do pagamento de qualquer taxa e imposto para um cidadão comum é sempre exemplar. Os cruzamentos de dados da Autoridade Tributária detetam a mais pequena divergência em tempo recorde, e essa malha já não é sequer só nacional: em 2025, Portugal recebeu de 103 países dados automáticos sobre rendimentos de residentes portugueses no estrangeiro, através de mecanismos como o CRS da OCDE e o FATCA norte-americano. Podemos nesta área comprovar que há competência técnica e organizacional quando existe vontade política e retorno financeiro direto. Mas por que razão, quando há só recolha de dinheiro das pessoas, dos contribuintes, é que o sistema funciona? Esta evidência que não é retórica devia dar que pensar e obrigar a mudanças.

Todos os verões ardem milhares de hectares e o país repete o mesmo guião: falta de limpeza de matas, meios insuficientes, resposta tardia e promessas de que desta vez vai ser diferente. Os números de 2025 revelam essa mesma incapacidade de responder ao que realmente importa: o número de incêndios foi o terceiro mais baixo desde 2001, prova de que a prevenção primária até avançou, mas isso de pouco serviu quando as temperaturas subiram. Ardeu, no total do ano, cerca de 271 mil hectares, o quarto valor mais elevado desde 2001 e praticamente o dobro dos 137 mil hectares registados em 2024, com apenas 44 grandes incêndios a explicarem cerca de 91% de toda essa destruição. Sabemos evitar que se acendam fogueiras, mas continuamos sem saber conter o incêndio que realmente devora o país.

Todos os invernos há cidades alagadas por sistemas de drenagem obsoletos, como se o inverno e a chuva fossem anomalia e não um fenómeno anual. Também aqui as alterações climáticas costumam servir de justificação fácil. Na educação, os exames nacionais sofreram este ano uma alteração significativa, a já famosa........

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