O Matuto e a Motosserra
O Matuto acordou com o escarcéu. Não era o casal palrador de maritacas. Não eram os sabiás-laranjeira. Não eram os tucanos, muito menos os pardalitos do telhado. Era... ora essa! Era uma motosserra. Às seis e meia da manhã!
O Matuto saiu lá fora. Ao fundo da Casa das Pontes, extra muros, um troglodita estava empoleirado num ipê, empunhando uma enorme motosserra. Em atitude bélica, o energúmeno desferia golpes na indefesa árvore. De forma sistemática, decepava ramo após ramo.
O Matuto sentiu os olhos humedecerem. Não era alergia. Era indignação. Que malvadeza! Aquela árvore alimentara bem-te-vis, dera guarida a bandos de tucanos, albergara canários, pombinhas, sacis, curiós, azulinhos... e agora estava a ser executada.
Parece que certas árvores, sobretudo as antigas, robustas e elegantes, dessas que embelezam o espaço público com muita folha e alguma dignidade, despertam a ira de certos humanoides. Que escândalo vegetal é........
